Homenagem a Bowie – SESC 24 de Maio – 10/1/18

“We can be heroes just for one day” (or for our whole life…)

Tem gente que você fica imaginando que quando estava lá em cima, na linha de produção, o controle de qualidade separou, marcou com uma estrelinha dourada no chacra do 3° olho e disse: “esse é especial, vai pra brilhar e iluminar tudo e todos à sua volta”. Eu não tenho dúvida alguma de que isso rolou com Filipe. Quem foi ontem e/ou hoje aos shows em homenagem a David Bowie, que aconteceram no charmoso teatro do SESC 24 de Maio, pôde comprovar isso. Quem não foi, pode ter uma ideia pelos vídeos.
Filipe cada vez mais é absoluto no seu domínio de palco. A entrada dele nesses shows têm sido tão impactante que ninguém fica imune. Ele consegue usar, na medida certa, tudo que domina: técnica vocal, presença total de palco, empatia com o público, figurino arrebatador e a emoção que sente ao interpretar canções que o tocam pessoalmente. O resultado disso tudo só pode ser perfeito.

O show em homenagem a Bowie, que fez parte do projeto Let’s Dance, do SESC 24 de Maio foi impecável. Ótima produção, luz e projeções na medida e uma junção de artistas que combinou muito bem e sabe cantar Bowie. Blubell, Filipe Catto, Leo Cavalcanti e Ritchie, o duo convidado, Antiprisma, acompanhados por uma banda incrível deram o tom certo e emocionaram o público. Parabéns a todos os envolvidos no espetáculo! Agora, só nos resta aguardar, ansiosamente, o que Filipe irá aprontar em seus shows do novo disco “CATTO”. Com toda certeza, será algo surpreendente e especial como ele sabe bem fazer.

Texto de Klaudia Alvarez.

 

 

 

Memória: David Bowie

Leia ao som de Heroes (clique aqui).

Quando David Bowie morreu, uma reportagem dizia: “Morreu o roqueiro, o cantor de funk, de soul, de disco, o produtor. Enfim, morreu um artista completo”. Assim partiu alguém que deixou um legado e muita influência a milhões de pessoas, de todas as idades e gêneros, em muitos cantos do mundo. Ele tinha uma total sintonia com seu tempo e por isso as constantes mudanças, inúmeras facetas de um ser tão revolucionário e atemporal. Diante de sua obra, fica difícil não usar superlativos para falar sobre esse artista.

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Foto: Divulgação

David Bowie nasceu David Jones, filho da classe média operária inglesa, e aos poucos foi trazendo uma aristocracia que lhe parecia natural. Uma elegância que chocava, uma irreverência que gerava admiração. Quando era crime ser gay, ele aparece como uma figura andrógina. Em cada projeto em que se comprometia a realizar, criava um personagem diferente. Aproximou-se do jazz, da arte experimental, das artes visuais e do teatro – atitudes que ninguém ligado ao rock fazia na época. Percebeu a importância da disco music, e a abraçou, quando o gênero era desprezado e considerado coisa de pretos e de bichas. Foi o artista símbolo dos anos 70 e 80, época que proclamava o espírito livre e experimental e que Bowie é a expressão maior. Sua música, sua expressividade, a arte, tocavam seus fãs de forma plena e acolhedora. Assim, seus seguidores sentiam, de fato, a liberdade sendo vivida e se viam representados por esta diversidade que ele trazia e espalhava ao universo. Sua experiência estética teve papel fundamental para que tais influências e representatividade se fizessem presentes e respeitadas, numa sociedade onde o diferente sempre foi reprimido, tachado de esquisito e/ou bizarro.

Cerca de cinquenta anos após seus primeiros lançamentos, até seu último álbum, intitulado Blackstar (2016), Bowie foi vanguardista e pioneiro de sua contemporaneidade como musicista e artista, influenciando ainda hoje uma geração de designers, escritores, músicos e artistas de diferentes setores.

Texto por: Christina Eloi e Erick Figueredo.