Memória: Nísia Floresta – a 1a feminista brasileira

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Quanto mais ignorante é um povo, mais fácil é a um governo absoluto exercer sobre ele seu ilimitado poder”.(Nísia Floresta)

Dionísia Gonçalves Pinto nasceu em 12 de outubro de 1810, em uma cidade que hoje faz parte do Rio Grande no Norte. Durante sua vida pública, usou o nome de Nísia Floresta e pode ser considerada a primeira feminista do Brasil. Filha de um advogado português e mãe brasileira, ela nasceu em uma fazenda, de propriedade da família. Acontece que seu pai era um liberal e defendia causas que acabavam contrariando os interesses dos grandes proprietários de terra, que perseguiam a família, o que fez com que eles tivessem que se mudar algumas vezes.

Na cidade de Goiana, Pernambuco, pra onde a família se transferiu, Nísia foi estudar em um convento de freiras e, por influência de seu pai, se interessou pelos livros e assuntos pelos quais a maioria das meninas da época não tinha afinidade, e o seu lugar preferido era a biblioteca da escola das Carmelitas. Mesmo assim, Nísia não conseguiu escapar do destino de quase todas da época: foi obrigada a se casar, muito jovem, com um homem bem mais velho e praticamente um desconhecido. Só que Nísia não conseguiu manter aquela situação e, logo depois do casamento, rompeu com o marido e pediu pra voltar pra casa dos pais, que a aceitaram de volta. Com tudo isso, mais uma mudança foi necessária e a família vai para Olinda, onde seu pai defende, mais uma vez, uma causa que contraria a elite local. Só que dessa vez não deu pra “fugir” da cidade e o pai acaba sendo assassinado.

Aos 17 anos, Nísia inicia um relacionamento com um estudante de direito e tem dois filhos com ele. Aos 21 anos começa a escrever em jornais pernambucanos e no ano seguinte publica seu primeiro livro “Direito das mulheres e injustiça dos homens”, na verdade uma tradução do francês de uma obra lançada em 1750. Nos anos seguintes Nísia publica contos, poesias, novelas e ensaios em jornais de Recife e Rio de Janeiro e lança outro livro, este sim, de sua autoria, e o dedica à filha.

Nos anos seguintes Nísia Floresta se dedica mais à educação, sem abandonar seus ideais que visavam à emancipação feminina, à defesa dos direitos dos indígenas e à luta contra a escravidão. Com o falecimento de seu segundo marido, ela se muda com a família para Porto Alegre, em 1834, e passa a lecionar. Alguns anos depois nova mudança, agora para o Rio de Janeiro, onde funda o Colégio Augusto (nome de seu segundo marido) que tinha uma proposta pedagógica revolucionária para a época e se destinava apenas à meninas. Seu objetivo era fornecer uma educação liberal e progressista às moças, indo contra a mentalidade da época em que todas eram condicionadas a ser apenas “donas de casa” e a obdecer seus maridos. Dá pra imaginar o tanto que ela enfrentou e como teve que lutar por suas idéias.

Provavelmente por isso, resolve ir morar na Europa, onde tem contato com Augusto Comte e o Positivismo. Volta ao Brasil, mas acaba decidindo se mudar definitivamente pra França, onde continua a publicar seus artigos e livros, sempre na luta pela liberdade da mulher e igualdade de direitos. Falece aos 74 anos e quase um século depois seus restos mortais voltam para o Brasil, sendo sepultados na fazenda onde nasceu, na cidade que hoje tem o seu nome, no Rio Grande do Norte.

Uma pena que ninguém pensou ainda em fazer um filme contando a história dessa mulher pioneira, corajosa e lutadora. Dá um belo roteiro, não acham?

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