Um milhão de novas palavras

A HISTÓRIA DO BRASIL COMO MERA FORMALIDADE
Hoje é sete de setembro, data comemorativa da Independência do Brasil. 
Bom, pelo menos foi isso que sempre  fizemos “nas escolas, nas ruas, campos e construções”, com as devidas desculpas a Vandré por deslocar o verso de contexto.
Mas há algum tempo aqui e ali pairam dúvidas e questionamentos sobre  se a data merece ser realmente comemorada, mais especificamente, se a independência foi um fato real ou uma história recortada e colada numa folha de papel qualquer, que adquiriu cor e natureza de documento importante, sendo guardado no fundo da gaveta para não se rasgar.
Não precisa de muito esforço para costurar os fatos, conferindo- lhes alguma logicidade no emaranhado de eventos  que pipocaram na vida real do país e que, ingenuanamente, às vezes,  são vistos como simples coincidências. 
A História, porém, nem sempre é uma coincidência: algo assim espontâneo… às vezes é uma coincidência arranjada, adqurindo o mesmo sentido de ” morte morrida” e “morte matada” no melhor do Português falado.
Pois bem…pensemos um pouquinho em poucas datas, até porque a História não é datação de eventos. Ela é a compreensão do processo no qual certas datas foram postas em destaque. 
Em 1815 ou 1816…por aí, o Brasil foi elevado à categoria de Reino Unido ao de Portugal. A família real portuguesa, pressionada pelas guerras napoleônicas, para cá se transferiu e teve apoio da Inglaterra, o grande império da época. O título ” honroso” de ‘Reino Unido ao de Portugal’  dado ao Brasil foi assim como a ” cidadania romana”, sabe, estendida aos povos conquistados e que fez de Roma o mundo todo, como diz o ditado. 
Digamos que o título dado ao BR foi uma versão do império romano protagonizada, no século XIX, pelo império inglês. 
Foi coincidência o Brasil ser elevado à categoria de Reino Unido com o apoio da Inglaterra? 
Vale lembrar que associada à Escócia em 1707, a Inglaterra formava o Reino Unido da Grã- Bretanha e que, posteriormente com a união ao Reino da Irlanda do Norte , passou a se chamar Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. 
A expressão Reino Unido é só uma detalhe, né? Embora abolida na França, a monarquia que é a essência dos reinos vivia nas terras banhadas pelo Atlântico algum apogeu, ao Sul da linha do Equador assim como em terras atravessadas pelo meridiano de Greenwich, onde esse meridiano nasceu. Então, BR era reino e a Inglaterra gozava do prestígio diante da França de haver preservado a sua monarquia sem degola. Bastava o parlamento para chamar o rei à sensatez!
Pois bem, depois de viver o seu tempo de Reino Unido ao de Portugal o que formalmente implicava a negação do estado colonial, o Brasil se tornou, em 1822, independente😳😳😳😳😳
A partir dessa data, firmou- se o Império de Dom Pedro I, filho do Rei de Portugal. Olha, por incrível que pareça, ainda não se está falando aí em emancipação do filho. O pai de Pedro I foi embora para Portugal e o filho ficou no Brasil, ambos reis maiores de idade.
A emancipação de menor de idade, foi a de Pedro de Alcântara, ou simplesmente, Pedro II e só ocorre em 1831, quando o seu pai: aquele que em 1822 teria gritado Independência ou Morte às margens do Rio Ypiranga🤭🤭🤭🤭, abdica do trono, vai embora para a Portugal e deixa o filho de cinco anos no Brasil. A História de saída do pai e de manutenção do reino se repete.
Tudo por um reino!!!  Pedro II, o 01 de Pedro I,  será consagrado como o primeiro príncipe regente do país até ser coroado Imperador em 1840.
Imperador???? E o rapaz não era príncipe?
Imperador! Isso mesmo, o garoto 01 foi “promovido” de príncipe a Imperador! 
A essa altura o Brasil já não era mais um território elevado à categoria de “Reino Unido ao de Portugal”. O Brasil era independente e foi só Pedrinho II chegar à adolescência,  que o BR logo se tornou Império. 
Um império, evidentemente, todo poderoso mais pra dentro do que pra fora. Pedro II, o 01 foi um monarca absolutista de mão cheia. Não teve Parlamento que desse sensatez! 
E apesar dessa mão pesar muito dentro do BR, ela não deixou de se mostrar como garras para fora, do território brasileiro. O Paraguai, por exemplo, que o diga! Conheceu muito bem a opressão desse Império, que durou de 1840 a 1889. 
Seria então coincidência que após dois anos da “declaração de Independência”, o Brasil tenha tido uma Constituição? 
A Constituição de 1824, que na classificação das constituições qto à origem, é uma carta outorgada, ou seja, decorre de uma vontade unilateral, sem mediações e sem diálogos. A Constituição de 1824 chega como certidão de nascimento de um país “independente” aos berros eufóricos do pai Pedro I.
A declaração de 1824 foi o suposto grito às margens do Ypiranga reduzido a termo, como se diz no direito. Foi um ato formal de Pedro I, trazendo pra si todos os poderes, sem moderação alguma e dizendo a todos da boca pra fora ( como certo alguém faz hoje em dia) que ele resolveria os conflitos com os demais poderes: legislativo, executivo, judiciário…estranho né?
Consagrar a tripartição dos poderes: E, L e J e ser o moderador do poder que na prática ele, Pedro, exercia. Ele era o Poder Executivo e Moderador…a Santíssima Duplicidade! Bom, era mais do que isso e não era santo!
E como se isso tudo não bastasse, o BR era formalmente o Império da liberdade: consagrava os valores da Revolução Francesa: Igualdade, Liberdade e Fraternidade, na Carta de 1824, mas mantinha  a escravidão. Tinha sentido: escravo não estava alcançado pelo valor da fraternidade ou da liberdade. Escravo era coisa e coisa tem proprietários…todos iguais nos seus direitos de exploração e alguns mais iguais que outros no direito de voto, né?
E assim a História se fez…mas nos foi contada como conto de fadas. 
Da forma como a História do BR nos foi relatada dá pra imaginar Pedro I posando pra um quadro como herói e aquela ebulição na hora do retrato. Talvez a mesma que que se dá num set de filmagem: traz a espada, aí;  segura assim Pedro, segura assado. Aí alguém grita, produção! Cadê o cavalo? Já tá na sala. 
Não! Tô falando daquele de quatro patas. Eita! tá no estábulo!
Então, é melhor pintar o quadro lá fora, não dá pra trazer o cavalo aqui pra dentro, né? Vamos todos lá pra fora…e o áudio tá ok! Dá pra gravar o grito? Não precisa gravar o grito! É só a pintura e ela vai dizer tudo!
Imagine, depois de um tempo,   Pedrinho II,  filho de Pedro I, aos cinco anos de idade brincando com um lego de príncipe regente? Imagine? 
Aí ele diz, “olha mucama eu fiz o Palácio… mas tá faltando peça para a fazer a senzala…”
E isso! Uma História sem glória, um prato de mentiras requentado pra quem pisou nos salões e uma atrocidade para quem esteve fora dele.
E ainda tem quem pense que no Brasil não há ” fake news”. Não por acaso vivemos a guerra de narrativas hoje em dia. Enquanto for só essa “guerra de goela” gritando talvez ainda dê pra fazer piada e olhe lá… agora, quando for guerra mesmo às margens do Ypiranga…ih!  aí a gente vai viver uma outra data para rir e chorar tudo ao mesmo tempo.
Só lembrando que quando a Monarquia acabou no BR, em 1889, o nome oficial do país foi Estados Unidos do Brasil. Coincidência, né? 🤭🤭🤭


Texto de Maria Betânia Silva (sem ” th” pensando na independência do pensar)

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