Fã de Carteirinha: Kátia Provette

BHFK

Sem poder trabalhar, de castigo numa cama, na maior lombeira causada por remédios para dor, durante uma crise de dor na coluna. Era início da madrugada e eu estava de costas para a TV e com dificuldade para me movimentar e me virar para tentar identificar a quem pertencia aquela voz diferente e linda que cantava Garçom no programa do Jô Soares.

Este não é o início de um romance, mas o início de uma história de amor de uma fã por um artista. Uma dessas coisas boas que muita gente vivenciou na adolescência e eu tive a oportunidade de começar a viver aos 43 anos.

Lógico que mesmo sentindo dor acabei me virando para ver quem cantava de um jeito único e lindo aquela música da qual eu não gostava até então. Fiquei deslumbrada com a beleza e com a graça daquele artista, desconhecido para mim. Assisti à entrevista com curiosidade suficiente para memorizar que ele era filho de músico, tinha nascido em Lajeado (RS) e havia morado em Porto Alegre e que tinha se mudado para São Paulo com a cara, a coragem e muito talento em 2010.

Passaram-se alguns dias, não sei ao certo quantos e eu já havia voltado ao trabalho quando me lembrei daquela voz e daquele menino, mas não me lembrava do nome: Fábio Canto, Flávio Canto, Felipe Canto e nada de achar.
O caminho foi pesquisar na programação do Jô Soares, exibida durante os dias em que estive licenciada do trabalho por ordem médica. Encontrei Filipe Catto. A curiosidade deu lugar a um enorme deslumbramento por um artista talentoso e um ser humano delicado e firme em suas convicções.

A imersão no universo de Filipe Catto começou no segundo semestre de 2013. Vieram a aproximação e a amizade com pessoas maravilhosas de todo o Brasil através do fã-clube e de grupos de discussão, pois Filipe é capaz de juntar ao seu redor pessoas absolutamente adoráveis e diversas. Vieram planos frustrados de ir a shows em Sampa e no Rio, além do sonho de tê-lo, ao vivo, em Minas Gerais.

Enquanto ia cultivando o desejo de um show ao vivo, ressurgiu ou amadureceu uma vontade, até então meio adormecida, de escrever poesia. Creio que a coragem para escrever tenha se manifestado devido à beleza física de um lindo “muso” inspirador, à poética, presente em suas letras – autorais ou não. Entretanto uma fala a respeito de “um tal” lugar autoral, que ouvi numa das muitas entrevistas de Catto, propiciou a mim um empoderamento do qual eu necessitava para escrever sem medos, incertezas ou pudores. Tenho que esclarecer que não publiquei nada além de alguns textos no Facebook e num lindo livro em homenagem a Filipe e produzido graças à união de esforços de muitas e queridas amigas, espalhadas por vários cantos do Brasil.
Quase enlouqueci em 2015, quando percebi que o primeiro show de Filipe Catto em Beagá aconteceria justamente no meu primeiro dia de aula do Mestrado em Juiz de Fora. A ideia inicial era de não ir e de morrer de chorar na caminha do hotel, mas ao invés disso arquitetei um plano meio mirabolante e com passagens cinematográficas.
Foi uma aventura. O plano era sair de Juiz de Fora às 12:00, mas perdi o ônibus e só embarquei 14:00. Viajei pela primeira vez na vida rezando para que o motorista pesasse o pé no acelerador. Todavia ele não fez isso. Foi a 80 a maior parte do caminho, chegando a 60 em alguns momentos. Resultado: Cheguei a Beagá depois de 18:30 e o horário previsto para o início do show era 19:00. Tinha que escolher entre vestir uma roupa limpa e dar um tapinha no visual ou pegar dinheiro num caixa eletrônico pra comer na volta a Juiz de Fora. Escolhi a primeira opção e embarquei num táxi rumo ao Palácio das Artes já perguntando o preço da corrida ao taxista, para ter certeza de que teria como pagar. Contei ao motorista o que estava fazendo na capital e as aventuras do dia e ganhei até desconto na corrida. O show aconteceu no teatro menor e enquanto eu aguardava na fila ainda não acreditava que estivesse a poucos segundos de realizar aquele meu sonho de dois anos. O lugar na primeira fila tinha sido carinhosamente reservado por uma amiga do fã-clube: a Regina Rocha. Foi o prazo de abraçá-la e me sentar. Já era a hora de Catto.
Toda aquela beleza, que eu cantei em versos várias vezes, entrou no palco após uma sirene anunciar o início do Show. A roupa e o fundo escuros do palco contrastando com aquele rosto branco como a lua. A voz perfeita que tomou conta do lugar todo e o silêncio do público criaram uma atmosfera de coisa sagrada e de devoção do público. Qualquer ruído soaria como um pecado. Só posso dizer que nunca chorei tanto de felicidade na vida. Um êxtase, uma satisfação enorme e a confirmação de que todo o deslumbramento e admiração tinham justa causa. Olhava para o palco, e via o “Meu Divo”. Olhava para meu lado direito e via o Ricky Scaff, a quem tantas vezes perturbei com pedidos de um show em Minas. Foram muitas lágrimas e muita emoção, além, é claro, do primeiro autógrafo no livro em homenagem a Catto e na camiseta que eu vestia – presente do Fã-clube Filipe Catto. Tive a oportunidade de conhecer inúmeras das pessoas, também fãs de Filipe, com quem já havia compartilhado muitas conversas ao longo dos dois anos de espera por meu primeiro show.
Voltei a Juiz de Fora rezando para dar tudo certo na viagem. Uma noite tão feliz merecia um final perfeito. E foi tudo perfeito, até mesmo assistir as aulas do dia seguinte embriagada de sono e de felicidade. Minha colega de quarto naquele período só ficou sabendo de minhas aventuras, naquela primeira noite em Juiz de Fora, recentemente, em meu último dia como mestranda da UFJF. Logo veio o segundo show, que pude curtir mais tranquilamente e o terceiro, em plena Savassi. E claro, a saudade, pois desde 2016 não tivemos mais Filipe Catto em Minas Gerais.

O lançamento de CATTO, no fim de 2017, coincidiu com um período extremamente conturbado da minha vida – a reta final de escrita de minha dissertação – e por isso não havia conseguido mergulhar nas melodias e letras do novo trabalho. Conhecia algumas das letras, que já vinham aparecendo em shows de Filipe e entre elas tinha predileção por “Faz Parar”. Agora, com o Mestrado concluído, consegui ouvir mais atentamente cada uma das músicas e me deixei arrastar, invadir e contagiar por Torrente, Arco de Luz e Eu Não Quero Mais.

Quando penso num adjetivo para CATTO, o único que me vem é grandioso. E para Filipe: poderoso. Cada dia mais lindo e mais livre “pra ser o que sentir” e para impactar um público cada vez maior com sua música e sua poesia únicas. Sucesso é o meu desejo de sempre pra esse ser que trouxe brilho e desejo de mudança à minha vida. Desejo também o óbvio: Vem pra Minas Filipe Catto!! Te amamos e a saudade está grande demais.

(Kátia Provette)

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