Um milhão de novas palavras

Como se resfria o amor em nós? Quais são os sinais indicadores de que o amor corre o risco de se apagar em nós?
Essas foram as perguntas que o Papa Francisco nos fez no documento de exortação que escreveu para o tempo de quaresma que vivemos. Baseado nas palavras de Jesus: “A maldade vai se espalhar tanto, que o amor de muitos esfriará.’’ (Mt 24,12), o Papa nos convida a refletir sobre o “Resfriamento do Amor”. Ele diz: “A terra está envenenada por resíduos lançados por negligências e interesses, não podemos nos deter no nível imediato e superficial”.

É preciso nos aprofundarmos nas relações, acessar as mentiras secretas dos corações, enfrentar diálogos difíceis e não mais cair na ilusão de que problemas podem ser resolvidos só com distrações. É tempo de engolir as próprias grosserias, de abrir mão de ter razão, de rasgar o coração! Tempo de dialogar, ouvir, reconsiderar e recomeçar! Tempo para reconhecer onde errou, experimentar o perdão e deixar ir embora o que já passou. É tempo de combater o resfriamento do amor!

O amor resfria com o egoísmo, com o pessimismo estéril, com murmúrios e constantes reclamações, com a fascinação pelo dinheiro, com promessas de felicidade imediata, com o uso de falsos remédios para “solução” dos problemas, com as seduções da vida virtual, com o distanciamento silencioso e gradual, com a linguagem maldosa ou ferina, com os hábitos autoritários, com a inversão de prioridades, com a desculpa da falta de tempo e, sobretudo, com a recusa de Deus.

No caminho da luta pelo amor, não somos isentos das decepções, muito menos das frustrações. Não temos o controle de muitas coisas, mas temos o poder de modificar muitas outras. O amor não morre de repente. Na maioria das vezes, ele definha por uma sequência de descuidos. O amor não sobrevive sem vigilância, cuidado e atitude. É preciso muita oração, renúncia e doação. Quando isso acontece, o amor aquece e o milagre, enfim, aparece.

Paradoxalmente, o “milagre do amor” também não aparece de repente. É fruto do encontro entre a graça de Deus e a persistência do homem. Amor doído, mas não vencido. Amor que se mantém em pé, mesmo tendo motivos para já ter sido destruído. Amor que, assim como Cristo, mesmo quando desacreditado entre os homens, é capaz de ressuscitar e fazer novas todas as coisas.

Peço a Deus que lhe dê coragem e forças para combater com urgência o resfriamento do amor. Siga em frente, viva inteiramente. Insista e não desista. Confie e lute até ver o milagre do amor acontecer. Concluo recorrendo novamente as sábias palavras do Papa quando ele diz: “Se, por vezes, parece apagar-se em muitos corações o amor, Deus sempre nos dá novas ocasiões para podermos recomeçar a amar”.

 

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