Memória: Serena Assumpção

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Foto de Marcel Nascimento

Hoje se completa um ano da passagem de Serena Assumpção, a primeira filha das duas meninas que o casal Itamar e Elizena Assumpção tiveram. Serena, a que estudou Letras no Mackenzie, e depois Política e Sociologia na Inglaterra, mas que curtiu bastante dar aulas de percussão em uma cidadezinha da Dinamarca. Trabalhar com produção cultural a fascinava e ela foi a responsável pela coordenação editorial da revista Arquitetura Cultural (Brant Associados), da mesma forma que traduziu os livros da Unesco Humanidades do Patrimônio Urbano e Natural do Brasil. Aquela que amava e se interessava bastante em preservar o legado artístico de seu pai, um dos artistas mais importantes e emblemáticos  que esse país já teve. Junto com sua outra irmã, também artista, Anelis, Serena fez vir à luz projetos importantes como o livro Itamar Assumpção – Cadernos Inéditos (Itaú Cultural), o CD Isso vai dar repercussão de Itamar e Naná Vasconcelos e a Caixa Preta, um item cobiçado por 10 entre 10 fãs de Itamar, que traz doze CDs do artista mais 2 bônus.

Serena também compunha e cantava, normalmente participando de shows em que seu pai era homenageado . Gravou, em dueto com Anelis, a faixa Eva e Eu no CD Mulheres de Péricles, um tributo ao cantor/compositor Péricles Cavalcanti. Também é de de sua autoria a canção Tempo, que ela gravou no CD O Infinito do Pé, de André Abujamra. Outra canção que está neste CD de Abujamra é Namburuquê, nome que ficou sendo a ideia inicial do maior projeto e legado que Serena nos deixou e que foi posteriormente rebatizado como: Ascensão.

Frequentadora do terreiro de candomblé Ilê de Pai Dessemi de Odé, em São Paulo,  Serena acalentava o sonho de registrar em disco os cantos dos orixás e dedicou anos de sua vida a esse trabalho. Mesmo tendo enfrentado, por duas ocasiões, o câncer que a  vitimou ano passado, Serena trabalhou com dedicação e afinco e ,apesar de não ter conseguido estar(fisicamente) presente no lançamento do projeto, deixou tudo esquematizado de como queria que fosse feito.

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Serena e Filipe durante as gravações do CD  Ascensão

Felizmente, todas as gravações que aconteceram durante o ano de 2015 em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, foram concluídas a tempo e o projeto, que contou com o apoio do Sesc de São Paulo, teve dois shows incríveis de lançamento que aconteceram nos dias 7 e 8 de julho de 2016, no Sesc Pompéia, quatro meses após a “ascensão” de Serena. Veja aqui a revisão dos shows que fizemos na época.

Serena partiu há um ano, mas deixou uma obra importante e eterna. Uma pesquisa imensa de um  trabalho feito de amor e reverência aos orixás. Que essa luz que ela nos deixou continue por muito tempo a iluminar consciências e a promover a ascensão de quantos queiram  mergulhar de alma nesse projeto tão especial, urgente e necessário.

1 poema
 

Era outra a mulher que ali caía

Desciam-lhe sobre os ombros

Cintas e vestidos roxos.

O perfume do banheiro

No espelho da madrugada:

Jurava-lhe lascas de uma dama.

No sem-sentido daquela manhã

Hematomas de solidão:

“Desculpe, vou me atrasar.”

Os estilhaços, minúsculos e grandes, aspiravam

Outra mulher caída

E seus pequenos tormentos em cima da hora

(Serena Assumpção, 2007)

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