20/9/21 – 10 Anos de “Fôlego”- Parte 1

Arte de Gustavo Henrique – Foto de Popó Lopes

Há exatos 10 anos era lançado o primeiro cd de Filipe Catto: Fôlego. Vamos celebrar essa data postando aqui algumas resenhas do disco que foram feitas por ocasião do lançamento. Vamos começar com a de Rodrigo Sabatinelli, publicada no site musitec.com.br em 23/4/12.

“Caro leitor, não, você não está lendo uma revista de 2011! Não mesmo! Mas vou explicar! É que precisei de um tempo – alguns meses, na verdade – para digerir, parcialmente, a avalanche de sensações provocada pela audição de Fôlego, CD de estreia do cantor e compositor gaúcho Filipe Catto, lançado no afinal do no passado. De certo, se ousasse escrever esta resenha à época de seu lançamento, talvez não conseguisse a isenção necessária para tal. Não que agora vá conseguir, mas, pelo menos, me sinto mais preparado a tentar. Pois bem, vamos lá!

Conheci o trabalho de Filipe “no meio” da peça De Véu & Grinalda, montagem feita com base em recortes de textos de Nelson Rodrigues e embalada por Ressaca, cancão de seu EP Saga, espécie de diamante perdido da música independente brasileira (Perdido entre aspas, pois foi por conta do trabalho que Catto, finalmente e felizmente, chegou à grande massa. Mas isso é papo para mais à frente). Na ocasião, sua voz e sua interpretação foram totalmente responsáveis por desviar minha atenção do restante da peça, tanto é que tive de assisti-la novamente, n’outro dia.

Me lembro bem que saí do teatro, “corri para o Google” e, para minha surpresa, descobri que o cara já era uma estrela, pronta para bilhar. Saga, o tal EP, era cultuado por um sem número de pessoas, e, nele, havia, ainda, outras lindíssimas canções de sua autoria, como, por exemplo, a dramática Crime Passional e o sambinha Roupa Do Corpo, além da faixa-título, que, pouco depois, seria fisgada pela emissora do “plim-plim” para fazer parte da trilha-sonora de uma de suas novelas.

Descobri, ainda, nesse meio tempo, que, em breve, uma grande gravadora lançaria seu CD. Fiquei com receio de que tentassem, de alguma maneira, interferir negativamente em sua obra, mas relaxei quando soube que Paul Ralphes estaria à frente do projeto junto a outro grande músico e produtor, o baixista Dadi Carvalho, ex-A Cor Do Som e Barão Vermelho. Quando Fôlego “nasceu”, corri para as lojas. Queria “saboreá-lo” o quanto antes, e assim o fiz.

Gravado por Guilherme Medeiros em estúdios como Paulinas (SP), ACIT (RS), Companhia Dos Técnicos e Corredor 5 (ambos no RJ), mixado por Vitor Farias no One Studio (também no RJ) e masterizado por Carlos Freitas no Classic Master (SP), o disco trazia novas versões para algumas das canções de Saga e muitas surpresas autorais, dentre elas, a “jazzy” Johnny, Jack & Jameson, a “buckleyniana” (Para os entendedores, a colocação faz todo sentido) Redoma, o blues+samba Juro Por Deus e o tango Gardênia Branca, todas donas de interpretações únicas, tocantes.

Somente estas canções – e a maneira como foram registradas – bastariam para que o álbum tivesse tamanho valor para mim, mas Filipe foi além e, numa só tacada, prestou seu tributo a pelo menos dois outros grandes mestres: Zé Ramalho e Nei Lisboa, “figurantes” nas releituras de Ave De Prata e Rima Rica / Frase Feita, respectivamente No trabalho, também foram “relidas” Garçon, de Reginaldo Rossi, 2 Perdidos, de Dadi e Arnaldo Antunes, Alcoba Azul, de Hernán Bravo Varela, Nescafé, do grupo Apanhador Só, e Dia Perfeito, do Cachorro Grande, outras boas pedidas de uma incontestável estreia. Parabéns, cantor! Finalmente, consegui falar de você!” (texto de Rodrigo Sabatinelli)

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