Memória: Rogéria

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📷 Acervo Cezar Sepúlveda

Jamais seria um transexual porque eu amo ser o Astolfo”  (Rogéria)

Há 77 anos nascia, na cidade fluminense de Cantagalo, o menino Astolfo Barroso Pinto. Tofinho, como era chamado pela família, logo mostrou que era um menino “diferente”. Ainda bem jovem, quando perguntado quando iria se casar, sua resposta foi pronta e certeira: “ainda não tenho nem namorado!” Seu jeito incomodava um pouco a avó, mas sua mãe, que o criou sozinha, pois se separou do marido pouco depois de ter dado um irmão a Astolfo, era espírita e sempre apoiou o filho. Foi sua grande amiga a vida inteira, o quê, com certeza ajudou muito o rapaz a ter a personalidade e o caráter que marcaram sua trajetória.

O primeiro trabalho profissional de Astolfo foi como maquiador exclusivo da cantora Emilinha Borba, mas logo depois ele passou a trabalhar na TV-Rio. Lá, teve a oportunidade de maquiar grandes estrelas da TV, do teatro e da música.  Passaram pelas mãos talentosas de “Rogério” -que passou a usar esse nome por sugestão de uma atriz, que não gostava de Astolfo-nomes como Marlene, Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Maysa, As irmãs Batista, Elis Regina, Fernanda Montenegro e Elizeth Cardoso.

Com seu talento, inteligência e brilho pessoal, Rogério conquistava a todos e foi descobrindo que gostava muito de atuar. Sua vontade era estar nos palcos, mas, naquela época, os homossexuais eram vistos apenas de forma esteriotipada e ainda não era a hora de Rogério brilhar no palco. Só que havia os famosos concursos de fantasia no Carnaval e Rogério se fantasiou de “vedete do Moulin Rouge”, devidamente maquiado e travestido. Ganhou o primeiro lugar e ao ser anunciado como o maquiador Rogério, o público começou a gritar “Rogéria, Rogéria!” E assim nascia a personalidade daquela que foi considerada “a travesti da família brasileira”, por fazer sucesso não só com o público infantil, mas também com as pessoas mais idosas.

Com seu imenso carisma, Rogéria fez uma carreira de sucesso, tanto no Brasil quanto no exterior e não só atuou como atriz, do jeito que sonhou, como ganhou prêmios por seu trabalho.  Fez parte de grandes musicais, foi dirigida por Jô Soares (que falou dela de forma muito carinhosa em sua autobiografia), por Bibi Ferreira, foi cantora, apresentadora de programas na TV, fez cobertura de bailes de Carnaval, enfim, foi uma verdadeira estrela do show business brasileiro. Sua mãe sempre presente e a apoiando, só trazia mais alegria para essa grande artista que com sua personalidade e sua capacidade imensa de superação deixou sua marca nas artes.

Em agosto de 2017, Rogéria precisou se internar em um hospital, na Barra da Tijuca, para se tratar de uma infecção urinária. Chegou a ter alta, mas sentiu-se mal de novo e voltou ao hospital cerca de um mês depois, vindo a falecer em setembro, de infecção generalizada.


As informações para essa matéria foram obtidas na biografia de Rogéria – Uma mulher e mais um pouco – de autoria de Marcio Paschoal, Editora Estação Brasil, 2016,  que recomendo demais. Uma leitura leve e divertida pra quem quiser conhecer mais a fundo a vida incrível dessa grande artista brasileira.

 

 

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