Memória: Billie Holiday

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Há 105 anos nascia na Filadélfia Eleonora Fagon Gough. Se hoje é uma loucura, uma criança nascer de uma mãe com 13 anos e um pai com 15, imagine em 1915! Uma verdadeira tragédia previsível. E foi o que aconteceu com a jovem americana e deixou marcas emocionais que durariam a vida inteira. Rejeitada pelo pai adolescente, que era músico de jazz e partiu em tournée, logo após o nascimento da filha, e nunca mais retornou, a mãe pré adolescente também não teve condições de criar Eleonora, que ficou sob a responsabilidade de parentes.

Aos dez anos de idade, a violência atingiu a criança, que foi estuprada por um vizinho e logo em seguida deixada pelos parentes em um abrigo. Aos 12 anos a menina foge do local e passa a viver nas ruas por dois anos, até ir trabalhar como auxiliar de limpeza em um prostíbulo, onde é agredida sexualmente pela segunda vez. Neste momento ela decide procurar a mãe e tentar ter uma família. A mãe a acolhe, mas sem condição alguma de  sobrevivência, as duas se mudam para Nova York, onde, finalmente a jovem vai ter a chance de sua vida, após continuar na prostituição por mais um tempo.

Dos 15 aos 18 anos, cantando em um bar do Harlem, Eleonora tem a chance de sua vida graças a um crítico de música que se impressiona com seu canto e lhe dá a oportunidade de gravar um disco. Nasce assim, Billie Holiday, uma das maiores intérpretes de jazz de todos os tempos.

Seu disco de estreia foi um sucesso e por 26 anos Billie desenvolveu uma carreira sólida, contracenando com os maiores nomes do jazz como Count Basie, Duke Ellington, Louis Armstrong e Artie Shaw, porém sua vida pessoal era cada vez era mais infeliz. As marcas de sua infância trágica nunca cicatrizaram e logo as drogas e o alcoolismo, somadas a três casamentos infelizes, onde ela sofreu mais abusos, tornaram a vida da jovem mulher um peso imenso. Em 1947 ela foi presa por porte de heroína e sua saúde foi comprometida com uma cirrose pelo uso excessivo de álcool.

Por trás da voz poderosa e das interpretações marcantes, uma mulher ainda jovem agonizava lentamente, até encerrar o ciclo de uma vida marcada pelo abandono, relacionamentos abusivos, depressão, tentativas de suicídio e casamentos infelizes. Aos 44 anos de idade, em um hospital de Nova York e praticamente sem dinheiro algum, Billie Holiday se despede da vida. Era 17 de julho de 1959.

Em 1972, Lady Sings the Blues, o filme baseado em sua autobiografia, tendo Diana Ross como protagonista, estreia nos cinemas e deixa o registro de uma vida trágica que, bem mais tarde, inspira um artista, também muito jovem a fazer uma canção em sua homenagem: Gardênia Branca, de Filipe Catto, gravada no cd Fôlego, de 2011.

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