Memória: Antonin Artaud

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“Viver não é outra coisa além de arder em perguntas” (Antonin Artaud)

Há exatos 72 anos, em 4 de março de 1948, Antoine Marie Joseph Artaud, ou simplesmente Antonin Artaud, como ficou conhecido, foi encontrado morto em seu quarto de uma instituição psiquiátrica onde estava internado, em Paris.

Terminava assim, de forma trágica, a vida nada fácil de um dos maiores pensadores e intelectuais franceses do início do século 20.  Nascido em Marselha em 1896, já aos quatro anos de idade, Antonin teve meningite e nunca desfrutou de uma saúde perfeita, mas sua mente era privilegiada e lúcida até à exaustão, o que traria muitos problemas na vida do genial artista.

Foi poeta, escritor, pintor, ator de cinema, roteitista e diretor de teatro, sendo considerado o pai do teatro moderno, chamado por ele de “Teatro da Crueldade”. Em sua obra “Teatro e seu Duplo”, Artaud fala da importância da voz, da respiração e, sobretudo, do uso do corpo pelos atores. Também enfatiza a participação direta da plateia nos espetáculos, ao contrário da passividade do público que apenas assiste. Artistas brasileiros como Denise Stocklos e José Celso Martinez Corrêa foram muito influenciados por Artaud.

Incompreendido no seu tempo e com uma mente inquieta, passou nove anos de sua curta existência de 51 anos, internado em manicômios e sendo submetido aos duvidosos eletrochoques.

Deixou várias cartas que trocava com outros intelectuais de sua época como Anaïs Nin, André Breton, Jacques Rivière e um dos médicos de uma das instituições por onde passou, e nesses documentos é possível se ter um grande painel de suas ideias em assuntos como teatro, literatura, psicanálise e marxismo.

Ligado ao movimento surrealista, Artaud também se interessava por Tarot, Astrologia e Numerologia e pesquisou sobre o uso do peyote quando morou algum tempo no México e conviveu com os índios Tarahumara.

Sua principais obras incluem os livros: “Linguagem e vida”, “Eu, Antonin Artaud”, “O Teatro e seu Duplo”, “Van Gogh, o suicidado da sociedade”, “Os Tarahumaras” e “Heliogabalo ou o Anarquista Coroado”.

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