Papo Afinado: Daniel Debiagi

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📸 Fábio Zambom

Ele é arquiteto de formação, mas a música falou mais alto, e em 2019 foi agraciado na categoria de melhor intérprete do Prêmio Açorianos de Música, no importante evento que acontece anualmente em Porto Alegre. FCEF conversou com Daniel Debiagi, mais um talento musical gaúcho!

FCEF – Fale um pouco sobre sua formação, sua vida familiar, e como a música passou a fazer parte de sua caminhada.

DD – Não venho de uma família musical, porém sempre tive incentivo para descobrir fazeres artísticos. Com nove anos entrei num curso de dança de salão, esta atividade – inusitada para uma criança – abriu os horizontes da arte na minha vida. Com a dança descobri a música e com 11 anos comecei a fazer aulas de violão, através do instrumento descobri que poderia também cantar.

FCEF – Você tem dois trabalhos gravados: o EP Drama Flor, de 2013 e o CD Sem chover em seus olhos, de 2018. Como foi o processo para gravar esses discos ?

DD –  O Drama-Flor foi o primeiro registro da minha obra autoral, o EP tem seis músicas feitas entre 2010-2012, foi um apanhado de um período mais recente na época. Já o disco Sem Chover em Teus Olhos resgatou canções desde os anos 2000 até 2018. Ambos tiveram produção musical da Marisa Rotenberg, que agregou um olhar e uma escuta feminina ao trabalho. Como são discos independentes, levaram em torno de dois anos para serem finalizados, considerando que o investimento é alto e o dinheiro curto.

FCEF – Quem são os artistas que mais te influenciaram ?

 DD – Eu sou uma junção das mais controversas (ou não) influências. Fui uma criança estranha, comecei escutando Xuxa e Trem da Alegria para em seguida descobrir Mercedes Sosa, Maysa e a música nativista feita no Rio Grande do Sul. Fui crescendo e descobrindo tangos, boleros, chacareiras até me apaixonar pela poesia cantada em português dos mestres Caetano Veloso e Chico Buarque. Hoje cito Vander Lee e Adriana Calcanhotto como grandes referências para o eu-compositor, Ney Matogrosso e Elis Regina para o eu-intérprete.

FCEF – Ultimamente você tem trabalhado em alguns musicais, não só cantando, como dançando. Você tem alguma formação em dança ?

 DD – Comecei na dança com nove anos – como já citei – e segui fazendo parte de grupos de danças folclóricas até meus 15 anos. Com 16 integrei a companhia de dança e música “Os Changadores” em minha cidade natal, Cachoeira do Sul/RS. Como parte deste elenco viajei por muitas cidades do estado dançando, principalmente, os folclores da América Latina. Atualmente, dedico-me ao estudo da dança Flamenca com a amiga e maestra Ana Medeiros, já há três anos.

FCEF – Como é ser um artista brasileiro, morando em Porto Alegre, no início dos anos 20? 

DD –  Ser um artista brasileiro se tornou muito mais difícil nos últimos dois anos. Escolhas políticas que desmerecem a cultura tem prejudicado demais nosso trabalho. Em Porto Alegre a situação não é diferente. Aqui temos o agravante das fronteiras culturais e geográficas que dificultam que o restante do Brasil também nos escute. A internet diminuiu esta distância, mas ao mesmo tempo os incentivos culturais em âmbito nacional também foram reduzidos.

FCEF – Quais são os seus futuros projetos ?

DD – Ainda quero trabalhar bastante meu disco “Sem Chover em Teus Olhos“. Pretendo levar o show para São Paulo e lançar mais clipes até completar o álbum todo como um disco visual, já lançamos seis músicas com videoclipes, faltam cinco. Tenho também projetos paralelos que envolvem teatro como a comédia musical Ay mi amor!, que já está em cartaz há dois anos.

FCEF – Você já chegou a ter algum contato profissional com Filipe Catto ?

DD – Conheço o Filipe desde o início de sua carreira em Porto Alegre, assisti diversas apresentações dele logo quando lançou o EP Saga. Passamos algumas madrugadas teclando pelo Messenger falando de planos e música. Sempre achei o som dele espetacular, cheguei a pensar na época num espetáculo conjunto reunindo o Filipe e outros cantores daqui, mas acabou não rolando. Quando ele vem pra cá, sempre procuro prestigiá-lo. O Filipe também é uma referência pra mim como compositor e intérprete.

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Selfie de Daniel Debiagi

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