Papo Afinado: Pélico!

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Foto de Simara Douto

Nós sabemos que existem excelentes compositores na nova safra da MPB, mas duvido que alguém não o inclua entre os 5 melhores! Pélico, o incrível compositor de canções que emocionam é o nosso entrevistado desse Papo Afinado.  Agradecemos a ele a simpatia, a disponibilidade e o sorriso de sempre!

FCEF – Quando você descobriu que a música era o que você queria?

P – Eu acho que com uns 15, 16 anos. Eu comecei a estudar música um pouco mais cedo, com uns 10 anos. Era aquela aulinha de violão…também ouvia os discos do Balão Mágico, decorava as letras e queria ser um dos integrantes (risos)…mas aos 16 eu montei uma bandinha com os vizinhos e a ideia começou a tomar corpo. Eu queria trabalhar com música. Não necessariamente ser um artista ou compositor. Eu já escrevia alguma coisa e logo depois fui trabalhar em um estúdio, aos 17. Então a música sempre me rondou e veio cedo pra minha vida.

FCEF – E isso era aonde, interior de São Paulo?

PÉLICO  – Não, capital mesmo. Eu nasci na Zona Leste. Mas a periferia tem uma coisa interiorana sim. Sabe, eu demorei muito tempo para ir pro centro de São Paulo. A gente acaba resolvendo tudo ali mesmo.

FCEF – E você tem algum irmão ou irmã também envolvido com a música ?

PÉLICO  – Eu tenho um irmão mais velho e uma irmã mais nova. Esse meu irmão mais velho começou a ter aulas de música junto comigo. Sou dois anos mais novo e a professora costumava dizer; “observe seu irmão, ele é muito bom, muito aplicado!” Recentemente eu falei disso com ele, perguntei se ele se lembrava de como a professora o elogiava e ele disse que não se recordava de nada disso (risos). Meu pai é muito musical. Meu   avô era seresteiro e tocava. O primeiro violão eu ganhei do meu avô. Ele tinha um armazém e à noite ele tocava. Ele era mineiro e tinha um grupo. No final da vida dele, a audição já não era boa e ele me pedia para afinar o violão dele. Meu pai também adora cantar. Ele adora música e já tocou sax na igreja. Mas era só de curtição mesmo.

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Foto de Simara Douto

FCEF – Quando você fez sua primeira composição ?

PÉLICO -Você acredita que eu não lembro? Eu lembro do primeiro poema que fiz. Se chama Felicidade. Igual à música do gaúcho…Lupicíneo. Eu tenho um tio que trabalha em teatro e me lembro de chegar bem cedo, em um sábado, na casa dele, dizendo: “tio, preciso te mostrar uma coisa”. O escrever veio antes. Eu já tinha as aulas de música, mas não juntava as coisas, sabe?  Agora, a primeira música eu não lembro mesmo. Desse poema eu lembro e meu tio me incentivou tanto que me animei e passava a semana escrevendo, aguardando o sábado para mostrar os poemas pra ele.

FCEF – E o primeiro trabalho gravado?

PÉLICO – Eu tenho um disco de 2001 que eu gravei em um estúdio legal, com canções próprias que eu produzi e fiz os arranjos, junto com a banda, mas ele está meio esquecidão, assim. Inclusive está guardado na casa da minha mãe. Eu fiz 1000 cópias, prensei e vendia nos shows. Foi na época em que eu trabalhava no estúdio. Juntei uma grana, conheci alguns músicos, chamei a galera, ensaiamos alguns meses e gravamos o CD, que se chama Melodrama. Fiz alguns shows, mas eu não estava confortável de seguir com o projeto. Talvez por não conhecer direito o mercado, não sei. Só em 2006 é que voltei a me movimentar de novo. Conheci outros músicos, outra galera e aí fui mostrando as músicas que fazia e gravei EPs em 2006, 2007 e em 2008 lancei meu primeiro CD oficial, O Primeiro dia de um homem sem juízo,

FCEF – Mas você tem planos de um dia lançar esse primeiro trabalho não oficial, o Melodrama?

PÉLICO – Vou contar algo sobre isso.Em 2009/2010, os meninos do Apanhador Só, aquela banda do Sul, vinham para São Paulo e estavam com dificuldades de onde se hospedar e ficaram na minha casa. Aí, eu saí durante o dia e só voltei à noite. E tenho uma estante onde ficavam cópias do Melodrama. E quando cheguei eles disseram:” ouvimos seu disco!” E eu não acreditava que tinha dado essa vacilada (risos), E eles ficavam rindo e disseram: “ouvimos o disco que você não gosta de falar sobre”.Eu fiquei morrendo de vergonha porque não acho que esteja legal. E eles disseram que é um embrião, que tudo que faço hoje, está ali.

FCEF – Agora que seus fãs tomaram conhecimento desse trabalho praticamente inédito ainda, vão querer o disco…

PÉLICO – Bom, 2011 fez 10 anos. Quando fizer 20, eu lanço. 2021! (risos)

FCEF – E os primeiros shows? Fale um pouco disso.

PÉLICO – Comecei a fazer em 2006, quando juntei a banda no estúdio. O start foi que eu fiz uma música e tinha um produtor/dj no estúdio que curtiu muito. Eu mostrei a canção e ele fez uma ótima produção e aí me animei. Comecei tocando no Studio SP, toquei na Augusta, alguns bares.E em seguida veio o Prata da Casa, com curadoria da Pat Palumbo. Foi a primeira vez que me apresentei em um SESC. Era pra lançar o CD novo que ainda não tinha ficado pronto, mas acabou que chegou no mesmo dia do show!

FCFC- Quem foi o primeiro artista que gravou uma composição sua?

PÉLICO – Foi a Banda mais bonita da cidade, mas o primeiro a me dizer que queria gravar uma canção minha foi o Filipe Catto. Eu tinha feito o lançamento do meu disco, em 2011…Eu conheci o Filipe em um projeto que fizemos na Vila Madalena, chamado Quanto vale a canção. Já rolou ali uma simpatia direto. Ele chegou, junto com o Ricky Scaff, e já ficamos nos olhando e tal (risos). Nós dois fomos nos apresentar, mas ele não conhecia meu trabalho nem eu o dele. Eu me apresentei, tocamos duas músicas cada, aí no final ficamos conversando e fluiu! Foi uma admiração mútua. E o Filipe, que voz é aquela, né? Eu comentei com ele que ainda bem que eu tinha cantado antes dele porque se fosse depois eu não teria conseguido…(risos). Aí ele foi no meu show de lançamento do “Que isso fique entre nós” e ouviu Sem Medida e no final chegou pra mim e disse: “vou gravar essa música”. Aí demorou um tempo, porque ele tinha acabado de gravar o Fôlego (2011) e o sem medida acabou entrando no “Entre cabelos, olhos e furacões” (2013), Aí começou nossa amizade. Somos muito próximos, como irmãos mesmo.  Uma vez falei isso pra ele, que ele parecia meu irmão mais velho. E ele perguntou: “você me chamou de chato?” (risos), Eu disse que não era uma questão cronológica, e sim de importância…(risos). A gente conversa muito, ele me dá altos toques, boas dicas.

FCEF – E o seu trabalho mais recente foi o Euforia.

PÉLICO – Sim! Eu passei um tempo produzindo (junto com Jesus Sanchez) o CD do Tony Ferreira, que gravou duas canções minhas. Em seguida fiz o Euforia, que já tem dois anos. Agora pretendo lançar outro trabalho, no ano que vem e já estou trabalhando nisso.

FCEF – E outros projetos imediatos ?

PÉLICO – Paralelo ao futuro disco, ao qual estou me dedicando agora, e já cantei inclusive algumas canções inéditas em shows que fiz na Casa do Mancha, assim como no projeto Cancioneria que faço com o Juliano Gauche, eu estou participando de outro trabalho incrível que se chama Trovadores do Miocárdio, onde Junio Barreto também participa. Nesse eu não canto, leio poemas de gente incrível como Caio Fernando Abreu, por exemplo. Em um deles eu li o único poema escrito por Glauber Rocha! Vamos sair com ele pelo Circuito Sesc, vão ser várias cidades do interior de São Paulo.  Logo depois disso eu faço a Virada Cultural na Sala Olido e na semana seguinte vou me apresentar no Espaço Espelho D’Água, em Lisboa!

*Nota de FCEF – Essa entrevista de Pélico nos foi concedida há 3 meses, daí ele falar sobre projetos que já aconteceram. Mas o Cancioneria está de volta e continua imperdível, com convidados muito especiais!

2 thoughts on “Papo Afinado: Pélico!

  1. Pélico é um dos melhores compositores da atualidade. Duas letras e músicas são repletas de conteúdo e sentimentos. Gosto muito de você.

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