Esse seu olhar: Liliane Pelegrini

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Fotografo profissionalmente há quase 10 anos. Mas, vasculhando na memória, a imagem sempre me chamou e instigou. Lembro de criança brincar com uma Kodak simplérrima que minha mãe tinha em casa, sem filme mesmo, e depois de um certo tempo, quando aparecia um na família com alguma novidade tecnológica (nunca grande coisa, mas um frissón pra época), era eu quem decifrava manuais e testava os recursos, o que acabou me rendendo um certo posto de fotógrafa e cinegrafista das festas na casa da minha avó. Parece bobagem esse tipo de experiência, ou algo corriqueiro para a maioria das crianças curiosas, mas acredito que essas coisas constituem uma memória da formação do olhar. Pelo menos para mim.

Sou jornalista por formação e, como em qualquer universidade, imagino eu, havia aulas de fotojornalismo. Mas não foi isso que me levou a me tornar fotógrafa. Inclusive, comecei a minha carreira no texto, que era o que eu queria e imaginava quando decidi ser jornalista. Trabalhei formalmente para jornais diários e revistas até 2015, mas mesmo escrevendo, a coisa da imagem sempre esteve presente, ainda me chamando. Nas minhas reportagens, buscava (quer dizer, busco, pois ainda escrevo jornalisticamente) me comunicar com o leitor criando no texto imagens por meio das palavras.

Fotografar é uma extensão e uma consequência dessas vivências minhas que, mesmo indiretamente, pelas beiradas, me conduziram para o mundo das imagens. A coisa toda se tornou profissional – ou eu me assumi enquanto tal – a partir de encontros na minha vida pessoal que me fizeram acreditar no meu olhar mais seriamente. A minha fotografia começou bem intuitiva e acredito que o é até hoje, por mais que também com o domínio técnico da linguagem, construído com a experiência. Lembro que o primeiro conselho que recebi foi: preocupe-se primeiro em amadurecer o olhar, só depois se preocupe com a técnica e em dominar o equipamento. E foi isso que eu fiz e venho fazendo oficialmente desde 2007.

Como sempre fui envolvida com cultura, pessoalmente e no jornalismo, foi um desdobramento meio natural que a maior parte do que fotografo seja sobre essa área. Espetáculos: teatro, dança e, especialmente, shows. A música é um personagem fundamental na minha trajetória. Não vivo sem ela. Quando eu fotografo um show, instintivamente eu busco o ritmo do palco. Às vezes sinto que o clique sai no andamento dos instrumentos. O que me faz feliz é quando eu consigo colocar na fotografia o instante certo de uma expressão, um detalhe que revela sobre o artista, sobre aquele momento com a plateia, mas também sobre mim e o meu jeito de vê-lo. Gosto de brincar com a luz e o movimento, explorando o projeto que o iluminador preparou para determinado palco porque isso, para mim, diz muito do que aquele espetáculo pretende comunicar e eu tento ser fiel a isso.

Fotografar shows é, de fato, meu trabalho mais prazeroso. Fotografo desde orquestras, os clássicos, os populares… É uma viagem muito louca quando a música me comove pessoalmente, não apenas como fotógrafa. Um dos artistas que sempre consegue me comover dessa maneira é o Filipe Catto. Desde a primeira vez que ouvi uma canção ele, ainda do EP “Saga”, eu senti necessidade de fotografá-lo. A palavra é essa: necessidade. Porque eu sabia que seria especial. Desde então, fotografei o Filipe algumas vezes e em formatos diversos: voz e violão, com orquestra, com banda, em duo ora com Cida Moreira, ora com Simone Mazzer. E sempre é especial, exatamente como eu imaginava que seria. Além de ser um intérprete primoroso, com uma voz única e que arrebata, Filipe tem uma visceralidade no palco, traz em si uma força imensa em cada performance, cada gesto, cada expressão. Filipe Catto é um prato cheio para qualquer fotógrafo. Ele chama a câmera e o olhar, eu só faço embarcar com ele nessa viagem intensa de sentimentos e canções. É uma experiência sempre marcante, sempre deliciosa.

Agradeço o carinho e o espaço proporcionado pela equipe do site Filipe Catto em Foco e mostro a seguir algumas das minhas fotografias. Mais do meu trabalho pode ser visto em:

Aqui (site da minha agência), @lilianepelegrini (Instagram) e Flickr

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