Um milhão de novas palavras: Aquarius, o filme

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Esta semana fui assistir ao filme, Aquarius, estrelado por Sônia Braga, numa atuação tão natural e delicada que a gente chega a pensar que não estamos diante da telona.
A história retrata o amor, mas não aquele sentimento que estamos acostumados a ver nos filmes: um amor romântico, um amor maternal, um amor fraternal.
É o amor pelo significado que as coisas têm na nossa vida. O amor que temos pela nossa história e um apego por aquilo que nos representa. Seja uma casa, alguns discos, um lugar, algumas pessoas e um ideal.
Sem criticar radicalmente os avanços da tecnologia ou a modernidade que, às vezes, atropela os nossos sentimentos e sem ser saudosista.
Ele vai mostrando que devemos olhar com mais afeto para aquilo que somos; para nossas ideias e prazeres. Respeitando-nos acima de tudo, pois se isso acontece, certamente, seremos pessoas mais humanas, generosas e gratas.
A personagem, uma mulher madura, em harmonia consigo mesma, sustenta seu ponto de vista com convicção e veemência e isso não a torna chata, inflexível ou ranzinza. Ela vive sua vida naturalmente, sem ficar escrava ou dependente do mundo. Delineia sua trajetória, usa a casa da família para alinhavar a passagem do tempo. Defende sua permanência nessa casa, não por apego a esse bem material, mas ao afeto que cada cômodo, cada objeto têm naquilo que ela é. Com essa convicção, vai trazendo as pessoas para seu lado, ao não se dobrar aos apelos econômicos. Aos poucos, ganha o respeito e a admiração por defender suas convicções até o fim.
Não se sabe se sua atitude garantirá um final feliz. Isso não importa tanto. O que realmente vale é que, ao lutar por seu amor, ela confirma que buscar a verdade traz um alívio pra alma.
A música da personagem traz em sua letra, exatamente aquilo que o filme traduz.
Fechando assim, essa bela história de amor à vida.

“Hoje, trago em meu corpo as marcas do meu tempo.”
(Taiguara)

Texto de Christina Eloi

2 thoughts on “Um milhão de novas palavras: Aquarius, o filme

  1. Muito bom, Christina! Seu texto enfatiza uma das sutilezas do filme: a da “mulher guardadora memórias”; do valor das memórias para valorizar afetos, para resistir à opressão e buscar o melhor que cada um pode oferecer: mudar o mundo, tornando-o melhor!
    Temos uma milhão de atos a realizar e haveremos de realizá-los! Parabéns!

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