“Se eu pudesse gritaria…” E eu vou. Eu quero.

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 Fico sempre contando os dias, as horas e até mesmo os minutos. Soa o terceiro sinal e eu já começo a sentir aquela vontade de gritar, de pular da cadeira, chorar, sorrir… Não foi diferente desta vez.

Abrem-se as cortinas, aquela banda maravilhosa tocando, o cenário incrivelmente hipnotizante e acolhedor. Filipe Catto entra no palco, solta aquela voz arrasadora e aí já era, sou tomado por sensações únicas e inexplicáveis. A cada música cantada, me parece que o assento fica menor, não cabe tudo ali, não cabe tudo em mim. Eu fico pequeno e grito, sim. Grito pra grandeza que o show me faz sentir; choro; rio; é ali mesmo que eu faço dos meus sentimentos algo externo, onde compartilho com quem estiver por perto e afirmo que, sim, é o melhor lugar para se estar, daquele jeito, naquela hora.

O repertório do show “Tomada” está cada dia melhor, mais visceral (o que eu achava quase impossível), porque  Filipe tem essa capacidade de interpretação que é tão admirável e tocante. Está no palco um cara que canta também com as mãos, gesticula a música e a sente. Desta forma o show vai contagiando cada vez mais a plateia, “feito uma droga lenta”, afinal, ele faz o convite: “partiu, foi / cola comigo”; não tem como recusar. E daí vem o romântico; o sambista; o transgressor que joga o pedestal no chão; o ser livre de máscaras. Ver a entrega de Filipe é contagiante. Quase todas as músicas se sucedem, se intercalam, de uma forma que eu me identifico extremamente. Torno pessoal. É como se uma pequena autobiografia tivesse sendo cantada ali. Pedaços de mim. Da minha vida. E nem sei explicar os efeitos que isso me traz. O que eu sei dizer, agora, é que qualquer momento como este, se tornou indispensável pra mim. Pela ansiedade, pelo momento do show, e, não menos importante, pelas trocas que faço com quem conheço, com as pessoas que só vejo ali, nos shows. Conversas e energias tão boas de se trocar. Eu pego; eu bebo; eu deixo embebedar.

Neste show, em especial, conversei com uma mulher cheia de luz e muito inteligente que, sabiamente, me disse que “a música deveria ser tratada como adjetivo, e ainda mais uma música tão bem cantada, como o faz Filipe Catto”. Imagina só: “Hoje o dia está tão MÚSICA”. Sim, música é adjetivo. Um adjetivo do caralho!!!

TEXTO DE ERICK FIGUEREDO

6 Comments

  1. Concordo Erick! Embora não tenha podido ir ao show pq estou muito longe, o seu texto expressa a dimensão que arte de Filipe alcança nos olhos de quem o vê e no coração de que ouve a voz dele. Não bastassem os já conhecidos multitalentos que ele possui, vc agora identifica mais um: o de tornar a música um adjetivo capaz de definir a beleza do dia, o brilho da manhã, o horizonte da vida, o lugar de onde vem a luz e que afugenta a sombra. Filipe tem dom de todos os tons!

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  2. Uau !!! Uau e uau !!!
    Garoto, que lindo isso !!!
    Vou imprimir e entregar em mãos, cada vez que alguém me perguntar porque eu viajo tanto para assistir o mesmo show …
    Aí está a explicação !!!
    E olha que emoção é uma coisa difícil de explicar …

    ❤ ❤ ❤

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  3. Está arrasando garoto com estes textos maravilhosos. Filipe é tudo isto. Ele tem o dom de nos levar ao paraiso, aos céus não Sei. Só sei que este lugar é especial. E nos faz chorar
    de emoção.

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