Papo Afinado: Florência Saravia!

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Foto: Ana Oliveira

Que Filipe Catto tem uma voz linda, cristalina e poderosa, nós todos sabemos.  Mas para que essa voz chegue da melhor forma ao público, é preciso que alguém competente esteja cuidando do som. E isso a gente tem certeza que acontecerá quando FLORÊNCIA SARAVIA estiver no comando da mesa! FCEF tem o prazer de conversar com ela!

FCEF -Quando e como foi que você descobriu que queria ser  técnica de som ?
Quando eu tinha 13 anos e visitei um estúdio pela primeira vez.
FCEF – Que tipo de formação (musical ou não) é preciso para se operar uma mesa de som?
Precisa ter algumas noções de acústica, eletrônica e eletricidade, além de saber o máximo que puder de música: como tocar um instrumento, noções de harmonia e percepção musical. É bom ter algumas noções de informática. Mas o principal *mesmo* é estudar o áudio em si, a teoria, as técnicas dos mais experientes e correr atrás de aprender as novidades. Enfim, para perdurar na carreira, precisa ter foco e estudar sem parar.
FCEF – Por ser uma profissão ainda com poucas pessoas do sexo feminino, você já sofreu algum tipo de discriminação por ser mulher?
Sim, muita discriminação no início dos anos 90, mas isso está cada vez mais superado.
FCEF -Qual foi a maior dificuldade técnica que você já enfrentou em um show e como resolveu?
Vixe, não saberia te dizer. Em geral é sempre bem difícil tirar som na estrada. Acho que a pior situação foi uma vez em que as condições de segurança do palco estavam ruins, nós, os técnicos,  nos recusávamos a subir e queríamos cancelar o show. Fomos obrigados pelo contratante, que era uma prefeitura importante aí. Fomos coagidos a tocar sem condições de segurança adequadas. Isso é pior do que mesa travando antes do show, do que falante estourado ou do que o p.a. parando durante o show.
FCEF – Você viaja muito pelo Brasil a trabalho.  Tem algum lugar onde se encontra mais dificuldades para realizá-lo e onde as coisas são mais tranquilas?
O Brasil é um lugar onde as pessoas acham que simpatia substitui profissionalismo. Isso não se restringe a nenhuma região específica, isso se encontra em todas as partes do país. No entanto, há muita gente lutando por profissionalizar a área do entretenimento, então, tenho encontrado cada vez mais, equipes e locais onde as pessoas agem de maneira correta, fornecendo as condições adequadas, cumprindo cronogramas, ajudando quando há dificuldades, enfim, trabalhando em equipe e fazendo as coisas direito. E o mais legal é que isso também independe de região do país. Há gente começando a entender que temos que trabalhar de maneira correta, segura, eficiente, sem fazer economias porcas, etc. Esse é um dos motivos pelos quais eu costumo “postar” as fotos da “graxa”, dos profissionais que me ajudaram, que trabalharam bem junto conosco, para que o público, que é o nosso cliente, tivesse uma bela experiência sonora e visual.
FCEF – Hoje em dia já temos bons equipamentos de som nacionais ou ainda é melhor recorrer aos importados?
A indústria nacional ainda é muito incipiente. Mas temos boas marcas, como a FZ, e a Pentacústica.
FCEF – Você trabalha com grandes nomes da MPB como Chico César, Luiza Possi, Blubell,  e principalmente Filipe Catto.  Como é ser a técnica de som dele?
Todos nós, técnicos do Filipe, adoramos trabalhar com ele. É um talento que transborda, ao mesmo tempo que ele tem o pé no chão. É um artista muito seguro, e isso facilita muito nosso trabalho, pois ele confia que iremos fazer o melhor possível, não importa a situação. Ele é uma pessoa gentil, também, e isso torna tudo mais suave. É um privilégio para mim.

2 Comments

  1. Essa entrevista com Florência reafirma aquilo que em Catto transborda para além dos que se acham próximos dele. Creio que o talento, a segurança e a gentileza que ela apontou, como qualidades de Catto são tão visíveis no palco quanto perceptíveis fora dele, para os que estão longe, como eu. Acho que estamos todos diante de um artista que nos leva à TOMADA da vida, e isso ele faz DIAS E NOITES e, continua, DEPOIS DE AMANHÃ. A impressão que eu tenho, que sou uma anônima para ele e o vejo, sempre de longe, só pela internet, é que ele nos entrega o melhor que ele tem, nos abraça formando uma LIGA que pede o BELO e o BEM. Eu diria que “…dentro da gota de nada… Catto pode tudo querer” porque nem um “Milhão de Novas Palavras” pode explicar o prazer de ouvir essa “VOZ que só aumenta a chama” e faz “libertar os povos dos nossos corações”. A admiração por esse artista é crescente, dobra todas as esquinas e faz tremular a Auriflama seja ao som de uma Canção seja no mais profundo Silêncio. É isso!

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  2. Puxa!!! Esqueci de dizer algo que havia pensado e não cheguei a escrever no meu comentário acima. Queria apenas dizer que o prazer de Florência em fazer o melhor para a melhor voz é também nosso. Faz bem a alma, ter esse som embalado, ampliado, com carinho e profissionalismo. Agora, sim! É isso!

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