Lanterna Mágica: “Dois Papas”, por Chico Alencar

Chico Alencar é ex-deputado federal pelo PSOL/RJ e atuou como parlamentar sempre com ética e transparência e na defesa dos direitos da população.

O texto abaixo foi postado em suas redes sociais e reproduzido aqui com autorização do autor.

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“DOIS PAPAS: primeiro tango no Vaticano!

O filme “Dois Papas”, de Fernando Meirelles, é fantástico. Baseado no livro de Anthony McCarten e numa conversa fictícia – mas nada improvável, que poderia muito bem ter acontecido – ele tem ritmo, beleza e ternura. Um diálogo de divergências até sobre a compreensão de Deus e a missão da igreja. Muito lindo! Para mim, comovente.

É revelador das contradições, desvios e crueldades de uma instituição cujos fundadores, Cristo e Pedro, eram nada palacianos, extremamente humanos e despojados. Mesmo sendo, para os cristãos, um a encarnação do próprio Deus e, outro, o detentor das chaves do Reino.

Também os pontífices, Ratzinger e Bergoglio, Bento XVI e Francisco, ali aparecem com suas angústias, fraquezas e virtudes, num diálogo humaníssimo, onde a radical diferença de opiniões, hábitos e mesmo crenças não os afastou. De forma sutil e maravilhosa, um vai convertendo o outro – sobretudo Francisco a Bento… Imagine que este, durão, acaba arriscando uns passinhos de tango, mesmo meio forçado e bastante desajeitado!

Os atores Anthony Hopkins, Jonathan Pryce e Juan Minujin dão um show, fidelíssimos a quem representam. Você sai do cinema (sim, prefiro a telona à telinha da TV) com um olhar um pouco menos rigoroso para o alemão, que se revela não tão “rothweiller” (como ele mesmo diz). E conhecendo as pisadas de bola no passado do argentino, à época da ditadura sangrenta em seu país, da qual ele se penitencia amargamente. Nosso Francisco, um homem que não se inebria com o poder, de bem com a vida!

Da trilha sonora às cenas na Capela Sistina e nos jardins de Castelgandolfo, com tomadas do mundo e seus maremotos, que dizimam milhares de empobrecidos, Fernando Meirelles e equipe – numa produção anglo-ítalo-argentina – fizeram uma criação magistral, divina.

Um filme que anima para a construção de um mundo menos injusto e hipócrita. Mais reconhecedor das nossas imperfeições em meio à maravilhosa sacralidade de tudo o que existe. ASSIM SEJA E SEJAMOS!”

(Chico Alencar)

 

 

 

 

 

 

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