Memória: Luhli

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Foto: Acervo do jornal O Estado de SP

Hoje, Heloísa Orosco Borges da Fonseca, a querida cantora, compositora e instrumentista carioca LUHLI faria 74 anos, mas ela nos deixou em setembro do ano passado. Partiu vivendo junto à Natureza, do jeito que sempre gostou e fez durante grande parte de sua vida. Foram cerca de 50 anos de uma carreira linda e de uma vida pessoal vivida com amor e intensidade e muito à frente de seu tempo.

Luhli começou sua carreira nos anos 60, nos famosos festivais de música da época, mas logo em seguida faria dupla com Lucina, com quem trabalhou dos anos 70 até os 90, produzindo discos independentes e verdadeiras raridades hoje em dia.

No início dos anos 2000, eu tive o privilégio de participar de uma lista de discussão de música, um grupo fechado, onde Luhli também estava e ali eram trocadas dezenas de mensagens diárias, inclusive com composições e parcerias nascendo na hora. Luhli fez muitas canções que tive o prazer de ver surgindo e também pude privar de sua amizade, chegando inclusive a conhecer a sua famosa garagem, na casa da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde ela recebeu tantos ícones da MPB em seus saraus.

Outro detalhe que vale a pena lembrar é que Luhli foi a responsável por indicar Ney Matogrosso a João Ricardo, que o convidou a participar dos Secos e Molhados, dando assim o pontapé inicial na carreira de um dos mais incriveis intérpretes de nossa música. Também são de autoria de Luhli, em parceria com João Ricardo, as canções “Vira” e “Fala” do repertório dos Secos e Molhados.

Embora longe da mídia, Luhli nunca parou de produzir e deixou dezenas de canções inéditas. Também fazia os seus “tambores de luz” e promovia oficinas de percussão e de canto na cidade serrana carioca de Nova Friburgo, onde vivia.

Para quem não conhece bem  a carreira linda de Luhli, eu recomendo que assista o documentário “Yorimatã” feito pelo cineasta Rafael Saar, que mostra a bela trajetória da artista, assim como a de Lucina, que continua brilhando nos palcos e estreia hoje uma tour com o projeto “Sonora-Líricas Modernas”, muito bem acompanhada por Badi Assad e Regina Machado.

(Texto de Klaudia Alvarez)

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