Clipe: Eu não quero mais

A vida inteira me ensinaram uma ideia incompreensível de Cristo.

Pela história que contavam, eu seria sempre o condenado, a ovelha indesejada. Jesus surgia como uma entidade irada, sob uma ideia de culpa e redenção através da dor e do martírio. Não combinava em nada com as lições humanistas e solidárias de um líder generoso, gregário, sábio, transgressor e moderno. Está lá, escrito na Bíblia.

Jesus esteve ao nosso lado o tempo todo. Lavou nossos pés, penteou nossos cabelos, comeu e bebeu com os nossos. Como poderia me odiar só por eu ser quem eu era? Ele era um de nós, um renegado que não frequentava palácios ou reuniões a portas fechadas. Brigava por emancipação espiritual, filosófica e, portanto, política. Um herói. Condenava a moral covarde que continuamos a combater como uma hidra que renasce furiosa a cada cabeça decepada. Era o diferente e por isso foi censurado, torturado, condenado e executado pelo Estado romano.

Pelo jeito ainda serão muitas as batalhas.

Gravamos este vídeo nos primeiros dias de janeiro, nos piores momentos da bad trip pós-apocalíptica da posse. Ismael Caneppele, diretor do clipe, e eu queríamos fazer uma festa ritualística e performática para reivindicar este Cristo Original, aquele que nos foi roubado e usado como arma para nos destruir. Logo nós, que vivemos de fé.

Fé na nossa arte, fé no nosso corpo, fé na nossa identidade, fé no nosso direito de ir e vir. Porque é com muita fé que saímos todos os dias sem saber exatamente se seremos mortos ou linchados. Fé quem precisa é quem morre primeiro. É quem vem perdendo há anos no jogo social. Já estamos calejados. As mortes são inevitáveis, mas a ressurreição é só para os vencedores.

Minorias quem? Estes tempos vieram pra nos reunir e reforçar nosso poder pessoal através da troca verdadeira com o coletivo. Vários Cristos acesos em rede, em bando, em revoada.

A verdadeira espiritualidade não é moral. É amorosa, é justa, é generosa, como os valores pregados por Jesus Cristo. Aquele que só fez sentido há muito pouco tempo na minha vida, quando percebi a civilização e sua hipocrisia ruindo com as igrejas, enquanto valores inspiradores se revelavam na expressão e no trabalho de pessoas — estas sim — de absoluta fé e coragem. Como as que estão comigo neste vídeo, dentro e fora das câmeras.

Muito obrigado pela generosidade e pela troca mágica que tivemos naquela noite especial de gravação no @Manancial Casa. Continuaremos comendo nossa fé no almoço e nossa vitória no jantar, nos tempos bons e ruins, juntos.

Não temos medo. Não queremos mais pouco.
𝑳𝒐𝒗𝒆💋
𝑪𝒂𝒕𝒕𝒐
.
Créditos:

Com a divina presença de:

Antonio Carlos Falcão / Auguste Sylvie / Filipe Catto / Jandiro Adriano Koch / Julha Franz / Julia Santos / Kailã / Kinuany Moraes / Lina Cezimbra/ Luigi Carlo Gazzola Pinzetta / @Patrick Rigon / Rafael Korbes / Shico Menegat / @thThamy Kirsch/ Valéria / @victVictoria Sur/ Vítor Ribeiro

Direção de fotografia e edição: Tuane Eggers e Kim Costa Nunes

Assistente de fotografia: Rebeca Rossato

Direção de produção: Ju Silva

Assistentes de produção: Janaina Zart Daiello , @Juliana Robin e Dj Nik Neppele

Direção de arte: Pedra Preta

Figurino: Isabella Pereira

Figurino Catto: @iIsadora Pontes Gallas

Maquiagem: Paulo Cruz @Natália Marangoni

Correção de cor e finalização: Juliano Moreira

Sonoplastia: Jojo Lonestar

Dirigido por: Ismael Caneppele

Filmado em Porto Alegre – Rio Grande do Sul Janeiro de 2019

Agradecimentos:
Manancial , Alemão, Daguito Rodrigues, Eduardo Rosa, @Ieve Holthausen e Biel Gomes

Texto de Filipe Catto

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