Memória: Caio Fernando Abreu

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“A vida tem caminhos estranhos, tortuosos às vezes difíceis: um simples gesto involuntário pode desencadear todo um processo. Sim, existir é incompreensível e excitante. As vezes que tentei morrer foi por não poder suportar a maravilha de estar vivo e de ter escolhido ser eu mesmo e fazer aquilo que eu gosto – mesmo que muitos não compreendam ou não aceitem.”

Caio Fernando Abreu escritor, jornalista, poeta e dramaturgo brasileiro, foi um dos grandes representantes da geração que marcou a cultura dos anos de 1980. Escreveu contos, romances, novelas e peças teatrais. Sua literatura foi marcada por temas de interesse universal – paz, amor, sexo, solidão, morte – de maneira direta, por isso ela é considerada atemporal.

Por meio de uma linguagem simples, coloquial, fluida, transgressora e temas não-convencionais, rompeu com os padrões literários. Por conta disso, recebeu por três vezes, o “Prêmio Jabuti de Literatura”, o mais importante prêmio literário do Brasil.

Nasceu em Santiago do Boqueirão, no interior do Rio Grande do Sul, no dia 12 de setembro de 1948. Aos seis anos escreveu seu primeiro texto.

Em 1963 mudou-se para Porto Alegre para cursar o ensino médio. Em 1966 publicou seu primeiro conto “O Príncipe Sapo”, na revista Cláudia.

Em 1967 ingressou nos cursos de Letras e de Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas abandonou ambos para se dedicar ao jornalismo.

Em 1968 foi selecionado num concurso nacional para trabalhar na primeira redação da Revista Veja, em São Paulo. Uma curiosidade: o escritor se tornou grande amigo de Cazuza, poeta, músico e letrista. Um artista que também  foi um ícone de rebeldia e coragem da época e representante de toda uma geração.

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No ano seguinte, 1969, perseguido pela ditadura militar, refugia-se na chácara da escritora Hilda Hilst, em Campinas, São Paulo. A partir daí passa a levar uma vida nômade pelo Brasil e pelo mundo. Apaixonado pela contracultura, viaja por diversos países – Espanha, Holanda, Inglaterra, Suécia e França.

A obra de Caio Fernando Abreu tem como tema a contemporaneidade e é influenciada pelos movimentos antagônicos das décadas de 1960 e 1970 – a ideologia “paz e amor”; o movimento negro, a rebeldia estudantil, a revolução sexual, o feminismo e o movimento gay; a violência das ditaduras latino-americanas, o imperialismo norte-americano e a guerra do Vietnã. É nesse cenário da história do Brasil e do mundo, que Caio vai buscar seus personagens sombrios, angustiados, obcecados pela morte e pela busca desesperada de amor e sexo.
Caio foi influenciado por diversos escritores. Dentre eles: Hilda Hilst, Clarice Lispector, Gabriel García Márquez e Júlio Cortázar.

Suas principais obras são:

Inventário do Irremediável (1970);
Limite Branco (1971);
O Ovo Apunhalado (1975);
Pedras de Calcutá (1977);
Morangos Mofados (1982);
Triângulo das Águas (1983);
As Frangas (1988);
Mel e Girassóis (1988);
Os Dragões Não Conhecem o Paraíso (1988);
A Maldição do Vale Negro (1988);
Onde Andará Dulce Veiga? (1990);
Ovelhas Negras (1995);
Estranhos Estrangeiros (1996).

Caio descobriu que estava com o vírus HIV, em 1994. Declarou ser soro positivo no jornal O Estado de S. Paulo, onde era colunista.
Faleceu com 47 anos em Porto Alegre, dia 25 de fevereiro de 1996, vítima de complicações desenvolvidas pelo HIV.

Ler Caio Fernando Abreu é um convite para entrar em contato com nossas dores e angústias mais profundas, assim como nossos amores e prazeres mais secretos.
Bem-vindos ao clube. Experimentem! Não há contraindicações.

Fontes:
https://www.ebiografia.com/caio_fernando_abreu/
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa7402/caio-fernando-abreu
https://www.todamateria.com.br/caio-fernando-abreu

(Texto e pesquisa de Christina Eloi)


Caio 1

Caio é do clube daqueles que fazem muita falta por aqui. É dos que diziam a verdade sem véus. Que rasgava a carne e expunha o osso, sem dó nem piedade.

Sua crueza doce e profunda ia até o âmago, fazia um estrago danado nos sentimentos e voltava à superfície, renovada em lágrimas.

Ler e ouvir Caio recitar seus poemas é beber do veneno desejado e temido, aquele que ansiamos e evitamos, até onde dá, porém sabendo que será inevitável tragá-lo.

Caio, a ausência sentida, o silêncio aterrador, a sede que jamais será saciada.

(Texto de Klaudia Alvarez)

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