Papo Afinado: Juliano Gauche!

J Gauche
Foto de Klaudia Alvarez

Ele é um dos grandes compositores da nova geração da MPB. Com um trabalho poético e muito consistente, JULIANO GAUCHE vem firmando seu nome no cenário da música brasileira ao lado de nomes como Tatá Aeroplano, Gustavo Galo e Pélico.  Em uma de suas apresentações no LOKI BICHO, tivemos o prazer de conversar com Juliano, a quem agradecemos a gentileza de sempre, a simpatia e a disponibilidade.

FCEF – Como você descobriu que a música era o seu caminho?

JG – Foi uma descoberta longa, demorou muito tempo, mas eu sempre fui muito fascinado pela música. Desde quando eu ouvia as fitas cassetes no carro do meu pai que eu sabia que tinha uma coisa mágica, convidativa ali na música e quando eu coloquei o primeiro instrumento na mão, foi aquele fogo irreversível. Eu tinha 13 para 14 anos. O meu vizinho estava tocando, pedi para ele me ensinar a música e daí não parei mais.

FCEF – Você é capixaba…de qual cidade?

JG – Icoporanga, bem extremo norte, quase Bahia. Bem ali no triângulo: Espírito Santo, Bahia e Minas Gerais.

FCEF – E o que você ouvia lá?

JG – Comecei primeiro ouvindo as coisas que meu pai ouvia: Roberto Carlos, Creedence Clearwater Revival, Johnny Rivers, Alceu Valença…Eu ouvia mais as coisas dele, depois foi que comecei  a procurar as minhas. Acho que  do rock, o primeiro foi Guns and Roses, eles me puxaram pra essa coisa do rock. Depois ouvi Led Zeppelin, Beatles.

FCEF – Você chegou a estudar música ou fez outro curso?

JG – Eu cursei Letras – Português/Inglês. Estava no primeiro ano quando me convidaram para gravar meu primeiro disco, aí deixei a faculdade e me mudei para Vitória, capital do ES. Eu compunha com um parceiro e um produtor ouviu nossas canções e quis gravar um disco. Acabamos gravando no Rio de Janeiro, mas com uma banda de Vitória chamada Solano. Fizemos três discos: o primeiro – Quanto mais pressa, mais devagar – de 2003, saiu em CD. O segundo – Feliz, feliz – de 2008 foi lançado apenas virtualmente, bem antes dessas plataformas de hoje em dia e o último – Veneza – de 2013. A maioria das composições destes trabalhos eram minhas. Fizemos shows em Vitória, no Rio, São Paulo e até em um festival na França.

FCEF – E quando aconteceu sua mudança para São Paulo ?

JG – Em 2010. Eu já estava há dez anos em Vitória e basicamente já tinha “dado um teto” das coisas  a serem realizadas por lá.  Aí deu vontade de vir para esta cidade, que é fascinante, mas que assusta um pouco também.  Eu tinha casado com a Sil Ramalhete (produtora) em 2009 e viemos dos dois. Eu costumo dizer que viemos em lua de mel e nunca mais voltamos…(risos).  Logo que cheguei, eu fazia com mais frequência um show em que cantava Sérgio Sampaio.  Eu e mais dois violões: Fábio do Carmo e Júlio Santos.  Era um show fácil de circular. Fizemos alguns cafés, algumas unidades do SESC, mas fiz também alguns shows com a minha banda – Solano – ao mesmo tempo que já pensava em começar meu trabalho solo.

FCEF – Quando você lançou seu primeiro trabalho solo?

JG – Em 2013.  Tatá Aeroplano deu muita força a este meu primeiro trabalho. Ajudou a produzir. O Júnior Boca também. Eu brinco, dizendo que naquela época, em que o “gigante” estava acordando, estava tendo aquelas grandes passeatas estudantis, eu gravava este disco que se chamou JULIANO GAUCHE, para marcar que ali começava o ,meu trabalho. Além das minhas composições, gravei uma do Tatá Aeroplano e uma parceria nossa: Amor do capeta. Ano passado, 2016, gravei meu segundo disco – Nas Estâncias de Dzyan”- já assumindo mais a produção, porém ainda com a ajuda do Tatá e do Boca. São oito músicas minhas e uma de uma amigo chamado João Moraes, que é  lá de Cachoeiro de Itapemirim.

FCEF – Fale um pouco sobre o show que você fez com o Tatá e o Gustavo Gallo, em que só cantavam Sérgio Sampaio

JG – Este show se chamava – 40 anos de O Bloco na Rua”. Era um tipo de continuação do que o João Moraes fazia lá no Espírito Santo.  Ele é um agitador em torno da obra do Sérgio Sampaio. Eu já tinha feito este show lá, com a participação do Tatá e decidimos que seria interessante fazer aqui também e aconteceu no Centro Cultural São Paulo.

FCEF – Como você conheceu o Tatá?

JG – Alguém me disse que tinha dado o meu disco para ele. Quando eu estava pesquisando sobre o trabalho do Sampaio, aparecia a música “Sérgio Sampaio, volte”, de autoria do Tatá, que acabei gravando em meu CD, mas ainda não o conhecia pessoalmente. Um dia fui ao Estúdio SP, na Augusta, e ele estava discotecando. Cheguei lá, na cara de pau, e me apresentei.

FCEF – Como você teve contato com a obra de Sérgio Sampaio ?

JG – Eu conhecia apenas o “Bloco na Rua” e aquela ” Fui internado ontem na cabine 103…”, quando o João Moares  me chamou ´para fazer o show que comemorava os 60 anos do Sérgio. Aí fui conhecendo outras músicas e recebendo aquela  descarga poética. Foi chocante! Conhecer o trabalho dele foi muito forte, mas eu conheci já fazendo. Decorando as letras para o show. Chegamos a gravar um CD chamado – Hoje não – título de uma canção inédita do Sérgio. Mas foi um lançamento meio que caseiro, bem artesanal.  Nunca foi muito do meu interesse também gravar uma homenagem ao Sérgio. Era um projeto mais desse amigo, o João Moraes, que produziu o CD.

FCEF – Projetos futuros. O que vem por aí?

JG – Ainda estou trabalhando o ” Nas Estâncias de Dzyan”, mas já tenho várias composições novas e vou lançar um projeto chamado “Afastamento”.  Paralelo a isso, escrevi um texto de umas trinta laudas, mas ainda não sei se vou lançar como livro. Não é muito a minha área.  Este conceito do “afastamento” é o que está norteando as coisas que estou escrevendo agora.

Tem também  meu site oficial para quem quiser conhecer meus discos e as minhas letras: Aqui

J Gauche 2
Foto de Klaudia Alvarez – Juliano se apresentando no Loki Bicho

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