Memória: Aracy de Almeida

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ARACY DE ALMEIDA – “O SAMBA EM PESSOA”
(Christina Eloi)

Juntamente com Marília Baptista, Aracy de Almeida é apontada como a melhor intérprete da obra de Noel Rosa. Nasceu e cresceu no bairro do Encantado, subúrbio do Rio de Janeiro. Ainda jovem, cantava no coro da igreja Batista da qual seu irmão Alcides era pastor. Desde os tempos de criança, sonhava em ser cantora de rádio, o que acabou acontecendo a partir de seu encontro com o compositor Custódio Mesquita. Foi casada com o goleiro de futebol Rei (José Fontana), que jogou no Vasco e no Bangu, entre as décadas de 1930 e 1940, mas o casamento durou pouco tempo. Cantava samba, mas também gostava de música clássica e se interessava por leituras de psicanálise, além de ter em sua casa quadros de importantes pintores brasileiros como Aldemir Martins e Di Cavalcanti, seus amigos.

Grande intérprete da obra de Noel Rosa, começou a cantar profissionalmente na Rádio Educadora, em 1933. Tornando-se um dos nomes mais conhecidos da fase de ouro do rádio.

No final de 1934, gravou a primeira música de Noel Rosa, o samba “Riso de criança”, pela Columbia. Em 1935, realizou sua primeira gravação solo na Victor, interpretando os sambas “Triste cuíca”, de Noel Rosa e Hervê Cordovil e “Tenho uma rival”, de Valfrido Silva. Em 1936, gravou seu primeiro grande sucesso composto por Noel Rosa, o samba “Palpite infeliz”, muito cantado no carnaval daquele ano. Nos anos seguintes, gravou diversos autores como: Capiba, João de Barro (Braguinha), Lamartine Babo, Hervê Cordovil, Ary Barroso, Ataulfo Alves, Wilson Batista, Assis Valente. Foram vários anos de gravações e sucessos.

Nos anos 1950, foi a responsável pelo ressurgimento do nome de Noel Rosa para o grande público, gravando e regravando muitos de seus sucessos. Em 1957 gravou o samba “Bom dia tristeza”, parceria de Adoniran Barbosa e Vinícius de Morais.

A partir dos anos 1960, começa a aparecer em programas televisão e shows artistas diversos como: o sambista Ismael Silva, Miéle e Bôscoli, Sílvio Caldas, Pagano Sobrinho, Jorge Ben (depois Jorge Benjor), Toquinho, Paulinho da Viola.

Nas décadas de 1970 e 1980 ficou conhecida por grande parte do público como jurada de programas de auditório – A buzina do Chacrinha” e “Sílvio Santos” – aparecendo como uma senhora rabugenta, sempre de óculos escuros e mau-humor. Na verdade, tratava-se de uma personagem criada pela cantora para atrair a atenção do telespectador de para aquele tipo de programa.

Em 1988, Aracy teve um edema pulmonar. Depois de dois meses em coma, voltou a lucidez por dois dias, e, num súbito aumento de pressão arterial, faleceu no dia 20 de junho, aos 73 anos.

Após sua morte, a remasterização de antigas gravações e o relançamento em CD de antigos sucessos redimensionam a sua importância como intérprete.

Em agosto de 2001, essa grande cantora da era do rádio foi homenageada no show escrito e dirigido por Ricardo Cravo Albin, “Estão voltando as flores”, estrelado pelo grupo Cantoras do Rádio. O espetáculo permaneceu quatro meses em cartaz no Teatro de Arena, em Copacabana.

Em 2014, em razão do centenário de seu nascimento foi homenageada pela Cia. Teatral Luzes da Ribalta e Grupo Arquéthipo com o espetáculo “Aracy de Almeida – A Dama do Encantado”, com texto e direção de Gedivan de Albuquerque, arranjos, preparação vocal e direção musical de Jonas Hammar, com Thiago Macedo, Gedivan de Albuquerque e Daniela Calcia, e com a atriz Kikha Dantas no papel da cantora.

O cronista Artur Xexéo, do jornal O Globo, escreveu em sua homenagem a crônica “O samba em pessoa” onde disse sobre ela: “Resumindo: foi graças ao “Bossaudade” que minha geração conheceu, na força de seus 51 anos de vida, Aracy de Almeida. (…)Aracy, além de muita personalidade para cantar, tinha também um jeito muito próprio de participar de entrevistas. Isso a tornou a mais popular dos “velhinhos” que faziam parte do “Bossaudade”. Ela começou a participar de outros programas de TV. Em muitos deles, ela nem cantava. Só aparecia para contar casos com seu vocabulário muito específico e seu mau humor muito bem-humorado. (…)Aracy era uma cantora sofisticada, de respiração única e timbre muito particular. Era daquelas que a gente reconhecia a voz logo nos primeiros acordes de qualquer samba”.

Aracy de Almeida foi uma artista de fundamental importância para a história da nossa música; que as novas gerações possam tomar contato com sua obra e reverenciá-la como ela merece.

Fonte: http://dicionariompb.com.br/aracy-de-almeida
Fonte: http://www.cantorasdobrasil.com.br/cantoras/aracy_de_almeida.htm

 

One thought on “Memória: Aracy de Almeida

  1. Lembro bem dela e suas apresentações nos programas de TV. Tinha um humor apimentado! Mas era muito gostoso ouvi-lo.

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