Texto de Julia Bosco!

Como parte de nosso mês de aniversário, convidamos pessoas muito especiais para escreverem sobre o tema que desejassem aqui na FCEF.  Com prazer, apresentamos o texto da incrível cantora/compositora JULIA BOSCO!

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Filipe e Julia Bosco – 2013

CRIATIVIDADE & BUFÊ A QUILO
(Julia Bosco)

 

Faz poucos dias que estive almoçando em um restaurante a quilo no bairro da Tijuca, revivendo uma cena bem típica na minha vida até o final de 2011, ano em que encerrei minha carreira corporativa e troquei-a por essa atual, que no momento eu chamo “carreira artística”, embora ainda não sinta grande conforto em chamar minha nada-mole-nova-vida de carreira, tampouco a minha pessoa de artista.

Bom, fato é que enquanto decidíamos, eu e os amigos, quais das 32 opções oferecidas escolheríamos, fiquei pensando nas implicações de nos colocarmos diante de tudo que está pronto, exposto e disposto, na hora de pegarmos algo para nós. O quanto isso de fato representa nos deixar livre para fazermos uma escolha ou se estão apenas a nos privar da verdadeira escolha, aquela que passa pela nossa real vontade desde o começo.

Claro que a essa altura eu já não pensava mais em comida alguma, e sim em um processo muito pessoal do exercício da criatividade. Como ser criativo em rede, recebendo informações por todos os lados? Como não se deixar levar pelos likes e shares que nos fazem acreditar que alguém já descobriu um caminho e é por ele que devemos seguir, mesmo que não seja o nosso caminho? Teria então a criatividade algum espaço livre para brotar, para surgir como uma grande sinapse, ou já é impossível desligar-se dessa grande rede por onde passam tantas trocas criativas o tempo todo, que nada de essencialmente novo consegue surgir?

Daí fiz um esforço mental e processei informações internamente, tentando perceber se a criatividade não é apenas um movimento de repetição com alguma customização: um escolhe batata frita; outro, batata cozida; outro prefere purê, mas está todo mundo comendo batatas; ou se de fato somos capazes de absorver as mensagens, processa-las e ainda assim criar, sem que sejamos engolidos pela rede e fiquemos eternamente presos dentro dela em movimentos circulares.

Não tenho resposta. Foi apenas um pensamento que me roubou a atenção e, como criatividade é nosso combustível, achei melhor não arriscar: chamei o garçom e perguntei se serviam à la carte.

 

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