Papo Afinado: Fabá Jimenez

Fabá

Dos músicos que integram a banda que acompanha Filipe Catto nos shows, Fabá Jimenez é o que está há mais tempo. FCEF conversou com Fabá para conhecer um pouco mais de sua trajetória musical. Agradecemos a ele a gentileza de nos receber no intervalo de um show, em São Paulo.

FCEF – Fabá, como a música entrou em sua vida?

FJ – Eu era bem novinho. Morava aqui em São Paulo, mas passava as férias na casa da minha avó, em Goiânia, onde nasci. Era uma casa muito grande e sempre tinha meus primos e tios lá. Eles gostavam de música e ensaiavam lá.  Me lembro que tocavam muito as canções de Sá & Guarabyra. Lembro que tinha piano, violão, violino. Eu ficava ali, naquele clima musical, olhando aquilo e me interessava muito, só que eles não me deixavam chegar perto dos instrumentos, por acharem que eu era muito pequeno e podia estragar. Quando eles não estavam, eu pegava nos instrumentos e começava a tocar escondido. Até que um dia minha tia me pegou tocando o violão e falou com minha mãe que eu levava jeito que era melhor ela me colocar em uma aula. E aí a coisa foi acontecendo. Quando eu era adolescente, no colégio já tinha banda.

FCEF – Quem te influenciou, na guitarra?

Fabá 2

FJ – Foram muitas as influências, mas principalmente o rock. Nessa mesma casa da minha avó que comentei antes, tinha uma pick up e muitos discos. Eu ouvia Pink Floyd, Emerson, Lake & Palmer, JImmi Hendrix, Led Zeppelin. Ela tinha também uma coleção de jazz incrível. Led Zeppelin foi o que mais ouvi, mas depois comecei a ter contato com outros estilos de música, mas JImmy Page foi quem mais me impressionou. Por ele se interessar pelo Oriente, essas coisas, comecei também a tocar violão, procurei outras afinações, passei a ouvir mais música brasileira, choro. Você passa a se interessar pela boa música e como na minha família sempre teve boa música…Meus tios e primos sempre me mostravam alguma coisa nova. Quando eu já estava tocando um pouco melhor, meu tio me deu um disco do George Benson, um disco em que ele toca blues. Eu fiquei louco com aquilo. E mergulhei no blues de raiz. Se eu for falar, hoje, de um guitarrista que gosto eu citaria Marc Ribot. Ele é americano e toca no limite da “tosquidão”. Não é muito certinho, sabe? As coisas muito certinhas não me “pegam” (risos) Ele já tocou com o Tom Waitts e outros artistas que gosto. Uma coisa meio “largada” assim…

FCEF – E aqui no Brasil, tem algum guitarrista que você  goste?

FJ – Tem vários! Pepeu Gomes, Lanny Gordon, Robertinho de Recife. Peguei aquela época dele no metal: ” Bate o pé, bate a mão, a cabeça e o coração” (risos)

FCEF – Como você conheceu o Filipe e como entrou para a banda que o acompanha?

FJ – Eu conheci o Filipe através do Dadi Carvalho (A Cor do Som). Ele é muito amigo meu. Quando Filipe estava gravando o primeiro disco, o Dadi me convidou para participar. Aí conheci o Filipe na gravação do “Fôlego” e gostei muito dele. Tanto como artista quanto como pessoa. Da geração dele, pra mim, é um cara único. Tanto na forma como ele leva a carreira dele, como do jeito que interpreta as músicas. Eu acho que ele tem um futuro brilhante. Aliás o futuro dele já é hoje. Já está acontecendo e fico feliz de poder participar disso de alguma forma.

FCEF – Além de ser da banda do Filipe você toca também com outros músicos, né?

FJ – Eu tenho um estúdio, em Piracaia (perto de Atibaia) junto com outro músico, o Ricardo Prado. Já toquei com muita gente. Agora eu me preocupo mais com o futuro porque tenho uma filha. Eu só fui entender o que é o amor incondicional com a chegada dela.  Às vezes eu penso, nossa, tenho uma filha pra criar, é muita responsabilidade. Eu sou um cara que acredito em valores como o respeito ao outro. O mundo hoje é muito competitivo e não sou assim.  As pessoas super valorizam isso. Você tem que ser bom. Eu  não acho que é por aí. As pessoas enlouquecem um pouco. Eu  não quero isso pra minha filha. Lógico, quero que ela estude tal, mas quero que ela respeite as pessoas, as diferenças.  Quero uma vida com mais amor pra ela, mais respeito, coisa que essa geração anterior não conseguiu.

FCEF – Você pensa em algum dia lançar um trabalho solo, instrumental?

FJ – Por enquanto não. Eu já tive alguns projetos, mas gosto muito de trabalhar com outras pessoas. Prefiro ser o “side man”, produzir alguma coisa. Prefiro ficar do lado, não me vejo encarando um projeto só meu, pelo menos por enquanto. Gosto mais da criação coletiva, de estar junto com outros músicos. A música pra mim é criação. Se for pra repetir alguma coisa que já se fez, eu não vou ser o cara certo pra isso. Eu sou uma pessoa que gosta de contribuir, de dar as minhas ideias. Essa é a minha visão do que é música, portanto não me vejo em um trabalho solo, pelo menos não agora.

Fabá 3

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