Papo Afinado: Pipo Pegoraro

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Foto de Klaudia Alvarez

O cantor, compositor, instrumentista e produtor musical Pipo Pegoraro conversou com FCEF e nos contou um pouco sobre sua trajetória musical. Agradecemos ao Pipo por sua gentileza e disponibilidade. Vamos conferir esse papo afinado?

FCEF- Como a música surgiu em sua vida?

PP-A música está presente em minha vida desde muito cedo. Minha infância foi permeada por ela, ouvi muita coisa diferente na casa dos meus pais e, desde pequeno, gostava muito de observar meu irmão mais velho estudar violão para as aulas do conservatório que ele fazia, era “hipnótico” (risos). Meu interesse em tocar violão veio com 6 anos de idade, a partir daí comecei a tocar minhas primeiras notinhas e nunca mais me separei de instrumentos.

FCEF -Logo no início de sua carreira você já partiu para uma tour européia com o grupo do qual fazia parte. Como foi essa experiência?

PP-Sim, fiquei seis meses tocando no verão europeu com meus amigos e músicos de lá. Foi muito interessante em diversos níveis. Do ponto de vista do aprendizado, postura profissional e de comprometimento. Aprendi bastante como funcionam os grandes festivais e como a sintonia de uma banda influencia muito no que está acontecendo para quem está assistindo e vivendo aquela experiência do show.Acredito que amadureci também como Pipo e voltei pro Brasil com outras vontades e intenções pra vida.

FCEF – 2008 – Seu primeiro disco – Intro – Fale-nos um pouco sobre o processo de gravação.

PP- Eu voltei da Europa com várias idéias na cabeça para serem “lapidadas” e vários esboços de músicas que fiz por lá. Antes de viajar, eu trabalhava em estúdios de gravação e meu foco era a produção, gravação e feitura de discos. Tocava com bandas/coletivos, mas despendia pouco tempo para meu trabalho autoral.
Voltando pro Brasil vislumbrei fazer um disco autoral, coisa que não tinha imaginado antes e me deu vontade de fazer algo bem enxuto… com os recursos que eu possuía na época.
Assim, acabei fazendo um disco quase que inteiro sozinho, chamando poucos amigos para tocarem e participarem das músicas. Me tranquei no quarto e botei os instrumentos pra funcionar. (risos) Talvez, porque eu tinha urgência em “materializar” aqueles pensamentos e músicas naquela época e assim nasceu Intro. Um disco que na verdade nem sei se considero meu primeiro disco, sabe.? É um disco introdutório, um apanhado de várias idéias, mas que gosto bastante pois retrata bem esse período que vivi.

FCEF-Como foi ter o seu segundo trabalho – Taxi Imã – entre os melhores discos do ano de 2011?

PP-Foi muito legal a receptividade do disco Taxi imã. Meu disco- Intro- foi um disco que quase não divulguei e se chegasse uma ou outra canção no ouvido dos meus amigos pra mim já estava bom.
Com Taxi imã foi bem diferente, lancei pela gravadora YB e contei com um melhor respaldo para lançamento. Com ele tive vários convites para tocar em outros lugares e viajar com meu trabalho autoral. Acredito que esse disco também traz a sonoridade do que eu estava vivendo na época, conhecendo vários músicos da cena Paulistana e que fizeram parte da feitura desse álbum. Ao contrário de Intro, a ficha técnica desse segundo disco é longa e extensa.

FCEF-Como surgiu a parceria com Romulo Fróes e o convite para dividir com ele a produção de seu mais recente disco – Mergulhar Mergulhei ?

PP-Acredito que Romulo Fróes é um dos artistas mais atuantes da cena musical de São Paulo, produz, dirige, realiza.. toda hora você vê algo dele aparecendo e gosto muito do que ele mostra em sua linguagem e intenção.
Já fizemos algumas trilhas sonoras juntos e foi bem natural que o chamasse para estar junto no processo do disco com seu olhar. Não tenho certeza onde nos encontramos, se foi na YB, se foi nos shows de outros amigos ou aonde foi, mas sempre tivemos muita empatia e foi classe A ter feito esse disco com ele.

FCEF- Já são várias parcerias em shows e a participação de Filipe em seu CD. Onde e como você o conheceu ?

PP-Nossa, você sabe que não sei ao certo onde conheci o Filipe?  Eu sei que escutei um EP dele e achei a voz dele sensorial.
Lembro de chamá-lo para um show que fiz no teatro Décio de Almeida Prado aqui em SP e ele arrasou!
Acho que a partir daí começamos a ficar mais próximos e a fazer outras coisas juntos.

FCEF- Você se tornou pai recentemente. Pode nos contar um pouco de como está sendo essa experiência?

PP- Ser pai é algo que você realmente não faz ideia enquanto você ainda não é.. (risos) trouxe um monte de sensações e chamados que despertaram sentidos novos e provocaram uma “mudancinha” de prioridades. Acho que talvez seja o normal para todo mundo né?!
Mas me pego agradecendo em vários momentos por ter minha família, minha esposa e filhotinho, assim andando de ônibus, de metrô, de bicicleta, caminhando, existindo… é uma experiência da felicidade!

FCEF- Além de seu trabalho autoral, você também atua na área de publicidade, jingles e trilhas sonoras. Fale um pouco sobre isso.

PP-Sim, faço trabalhos artísticos e publicitários que me convidam e acho super legal poder “ajudar a contar” outras histórias em outros formatos e que muitas vezes saem dos moldes da canção, ou mesmo de uma música instrumental com seus temas e variações.
Gosto muito de trabalhar com cinema pois acho muito legal pensar na música através de imagens que já existem em outras mentes e lentes pois são concepções que não são fruto da minha imaginação. É uma escada para outras paisagens mentais, visuais e sonoras.

FCEF- Você ainda está no processo de divulgar o CD Mergulhar Mergulhei, mas já tem algum novo projeto musical em mente?

PP-Estou arrumando as ideias dentro da cabeça e fazendo os esboços das novas músicas, ainda sem prazo para lançar ou mesmo gravar. Em breve farei um single, acredito. Geralmente penso o formato álbum para as minhas músicas, mas ultimamente estou fazendo canções um pouco livres e sem uma relação direta entre elas.
Tenho pesquisado timbres diferentes dos que eu usei em meus trabalhos anteriores e acho que o próximo disco terá uma estética nova e que não se parece muito com os álbuns anteriores.
Vivo envolvido em outros trabalhos/projetos musicais que tomam bastante tempo da criação desse novo disco e dos meus planos, mas logo logo tem novidade por aí!
Abração em vocês e até breve!!

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Foto de Klaudia Alvarez

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