Um milhão de novas palavras

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Mas que dias são esses tão pesados?A gente se apega e vai buscando uma rota de fuga. Um ponto. Um plano. Fico aqui em casa buscando formas de preencher folhas. Às vezes, acho que tenho que me dar por vencida. A fonte secou. Acordo cedo pra ouvir música. De repente, vejo o gesto. Então foi isso.Naquela manhã minha avó me pegou no colo e me perguntou: o que você quer ser quando crescer? Professora. A resposta veio mais rápido do que minha boca pudesse pensar. Observando esse gesto de agradecimento e felicidade de um homem tão jovem no palco, aquela manhã vem se aproximando mais de mim, “ser professora” era onde poderia ir para dizer: quero ser artista. Quero me doar. Quero que me levem por aí. Aos pedaços. Viver para sempre.
Minha avó riu da minha inocente falta de ambição e me disse: você vai ser escritora. Você vai escrever um livro da sua historia. E tantos anos fora, conhecendo gente, pegando estrada, com que papel com que tinta isso vai se escrevendo? Estarei mesmo me escrevendo? Escrevendo essa história para contar?
O artista não é Deus. Nem rei. É aprendiz. Todo dia. É o gesto. Ouvi “Relicário” muitas vezes. Mas hoje pela manhã chorei com o gesto. Faz sol lá fora. Inexplicávelmente sobre nossos ombros há céu de cinza e chumbo. Esses dias. É sobre esses de espera que vou escrever?

Texto de Carmélia Aragão

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