Memória: John Lennon

JL 1

Há exatos 78 anos ele nascia em Liverpool, em meio a bombardeios dos  nazistas à Londres durante a 2ª Guerra Mundial. Coincidência ou não, foi um dos maiores artistas do mundo e dos que mais pregou a paz. Acabou assassinado pela violência que tanto combateu, mas enquanto pôde usou de sua fama, de suas composições para lutar pelas causas em que acreditava.

Quem pensa que Lennon sempre foi um aliado das mulheres, um feminista de carteirinha se engana. Em sua juventude era um jovem possessivo, ciumento e até agressivo, como conta Cynthia Lennon em seu livro “John”: “Certa noite, estávamos numa festa e John ficou furioso quando alguém lhe disse que Stuart (Sutcliffe, amigo e membro dos Beatles bem no início) e eu estávamos dançando juntos. Assim que eu vi o olhar no rosto de John, nós paramos e, como havia acontecido várias vezes antes, eu o tranquilizei dizendo que era ele quem eu amava. Ele pareceu acreditar. No entanto, no dia seguinte na faculdade, me seguiu até o banheiro das garotas no porão. Quando eu saí, ele estava esperando, com um olhar sombrio no rosto. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ergueu a mão e me deu um tapa no rosto, fazendo minha cabeça bater nos canos da parede atrás de mim. Sem dizer uma palavra, afastou-se, me deixando chocada, muito chocada, ao ver que John havia sido fisicamente violento.” (John – Cynthia Lennon – Ed. Larousse, SP – 2009 – Pág 55)

Esse comportamento mudaria completamente quando John conheceu, em 1968, a artista avant garde e performer Yoko Ono, em uma exposição dela em Londres. Desde ficar em casa por 5 anos, abandonando totalmente sua carreira artística para ser “dono de casa”, como ele mesmo declarou, e criar o filho do casal – Sean – até mesmo incluir, em registro no cartório o nome “Ono” ao seu próprio, John Lennon se transformou em outro homem.

Por mais que sua obra musical fique marcada como o grande parceiro de McCartney em canções eternas, quem é fã de Lennon tem o período em que ele viveu e trabalhou com Yoko como uma época memorável, em que o melhor dele ficou evidenciado. Sua atuação política, sua defesa das chamadas “minorias”, em discos antológicos como “Sometime in New York City” e principalmente sua luta pelo “green card” para residir nos EUA são fatos inesquecíveis. Provam o caráter e a luta de uma pessoa por seus ideais.

Em 1980, ao achar que Sean Lennon, aos 5 anos de idade, já podia ter sua atenção dividida com a vida artística, resolve voltar a gravar e lança um disco em que  se mostra renovado, ainda apaixonado por sua companheira de vida, mas disposto a começar tudo de novo. A minha teoria pessoal é que isso tudo assustou o sistema e o que aconteceu depois é história.

A noite do dia 8 de dezembro de 1980 é daqueles dias que eu jamais esquecerei e lembro de tudo que aconteceu. Minuto a minuto. Os fatos marcantes de nossa vida parecem quadros congelados em nossa mente.  Aqueles momentos em que você se lembra exatamente onde estava, o que fazia e tudo que aconteceu, mesmo passado tanto tempo. A partir daquele dia, a canção “Imagine” se tornaria praticamente um hino à paz mundial, um verdadeiro tratado de bem viver e o idealismo de um mundo que parece cada vez mais longe da nossa realidade atual.  Eu nem consigo imaginar o que John estaria fazendo hoje, se estivesse aqui e vivenciando tudo que o país que ele escolheu para viver está atravessando.

Hoje, com certeza, Yoko Ono estará fazendo algum tipo de homenagem ao marido e vamos nos juntar a ela para lembrar aquele que mostrou ao mundo seu lado mais humano, mais criativo e que lutou, a seu modo, para tornar o planeta um lugar melhor de se viver. A esperança morava no seu coração e temos que fazer o mesmo.  Apesar de estarmos em um período tão difícil da História, em todos os lugares, há que se acreditar (e lutar) por um mundo mais justo e fraterno. É o que nos resta fazer.

“Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único. Eu espero que um dia você se junte a nós e o mundo será um” (John Lennon)

J e Y

Texto: Klaudia Alvarez – Fotos: Google images

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