Um milhão de novas palavras: Virada Cultural

 

A nova gestão da Cidade de São Paulo começa seus trabalhos, infelizmente, mostrando um total desconhecimento do que é importante para a metrópole, pelo menos, no que diz respeito à cultura. A crítica aqui, não levanta qualquer questão partidária ou ideológica. É apenas a visão de uma paulistana que transita pela cidade e observa o quanto ela é relega aos desmandos de políticos que desconhecem totalmente as necessidades da população, sejam elas educacionais, sociais ou culturais.

A Virada Cultural é um evento que traz para pontos importantes da cidade, artistas e expressões culturais que, pelos meios mais tradicionais de comunicação, não teriam vez, além é claro, de artistas consagrados que não poderiam ter um contato direto com a população em geral, se não fosse esse tipo de iniciativa.

O fato da Virada estar espalhada por vários cantos da cidade também contribui para que a massa possa usufruir dos espetáculos gratuitos, circulando livremente, fazendo uso dos transportes públicos. Há ainda os eventos dentro dos próprios bairros, iniciativa muito importante para a divulgação da arte popular das periferias.

Esses anos todos de Virada mostraram que, quando a população é valorizada, ela responde de forma positiva. Os casos de violência e depredação são pouco expressivos se comparados ao número de pessoas que assiste aos espetáculos.

Mesmo assim, diante de tão bem sucedida ação, a nova administração desprezou tal fato e deslocou para o bairro de Interlagos, mais precisamente, no Autódromo, a maioria das apresentações.

É bem provável (e tomara que eu esteja errada) que essa medida esvazie o evento. Vamos pensar: uma pessoa que mora no bairro do Tatuapé e tem o metrô bem perto, leva no máximo 30 minutos pra chegar ao centro ou à Paulista, palcos mais concorridos. Certamente, ela levará quase duas horas para chegar a Interlagos.

Mesmo que tal medida tenha como justificativa a contenção de gastos, penso que um evento que faz parte do calendário cultural da cidade, merecia um olhar um pouco mais atento. Os gastos poderiam ser diminuídos, mas a estrutura itinerante poderia ser mantida.

O que fica é a sensação de que as autoridades não conhecem a cidade e seus habitantes, pois tomam medidas à revelia, sem se preocupar se vão agradar ou não seus moradores.

Enfim, esses são nossos administradores.

Que pena!

A cidade perde!

A população perde!

E temos a impressão de que retrocedemos sempre que um novo governante toma posse.

Texto de Christina Eloi

2 thoughts on “Um milhão de novas palavras: Virada Cultural

  1. Cristina, não sou paulistana, conheço pouco São Paulo mas por ser uma apreciadora da arte, nas suas variadas formas de expressão, tive exatamente o mesmo sentimento que vc expressou no seu texto.
    Tudo lamentável!

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  2. O que se poderia esperar de um prefeito com o histórico de vida dele?Um empresário rico vai se preocupar com o que é melhor para o povo? Ele nem sabe o que o povo quer ou precisa, infelizmente vai ser daí pra pior!

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