Um milhão de novas palavras: Domingos Montagner

Nas correntezas do Brasil
No globo a Globo e seu plimplim
A novela, a tela
Tudo verdade, tudo mentira

Até que um dia
Sem ser domingo
Domingos sai do circo
Vai para tragédia

Vive papéis, morre e volta à vida
Trágica como na arte
Vai ao fundo
Levando o sorriso,
Deixando o choro

Muitas lágrimas
Por sobre as águas
Do rio
Velho Chico

Muitos sussurros
Na tela fica a novela
Do Brasil, da Globo e seu plimplim.

Somos todos palhaços
Nesse circo trágico
E só o rio sabe o destino
De quem pra ele, agora, vive!

(Maria Betânia Silva)


O mundo ficou mais triste
O mundo ficou mais triste. O ator palhaço foi embora nas águas do Rio São Francisco. Lá, agora, segundo os índios, ele será o protetor do rio.
Domingos apareceu na mídia há pouco tempo apesar de ser um ator maduro e atuante. Sua história é muito especial. Morador do Tatuapé, bairro antigo de São Paulo. Foi professor de educada física e, resolveu fazer aulas de circo para ter mais recursos para trabalhar com seus alunos.
Que sensibilidade!
Encantou-se com a vida mágica do circo e fez dela seu caminho, a partir daquele momento. Na sequência, vieram os trabalhos no teatro, no cinema e na TV, que é  de onde eu o conheço mais. Seus trabalhos foram sempre carregados de muita verdade. Era um ator de extrema competência, força e profissionalismo. Em suas entrevistas, percebia-se um homem simples, verdadeiro, fiel às suas origens e absolutamente entregue ao seu ofício.
Não havia como não admirá-lo. Essa última novela é prova disso. Santo, nome do seu personagem, é um nordestino simples que vive na região do Rio São Francisco. Líder rural que luta contra os desmandos dos coronéis e seu poder de dominação. Luta por uma agricultura mais natural e que não devaste tanto uma região já tão massacrada pelas dificuldades climáticas e pelo descaso dos governantes.
O rio é um ator coadjuvante, pois a narrativa mostra sua importância para a população sertaneja.
Homem bonito que não usou desse artifício para buscar papéis mais facilmente. Todos os seus protagonistas traziam uma proximidade com o homem comum. Sua morte prematura e dessa forma tão abrupta nos deixa um pouco órfãos.
O Brasil carece de pessoas verdadeiras, honestas, dignas.
A prova de que o povo se espelha em bons exemplos foi o modo como respeitaram a família e os amigos na hora do velório e do sepultamento do ator. Não houve tumulto ou invasão numa reverência emocionante.
Estamos de luto e isso dilacera nosso coração. O conforto virá com o tempo. A mensagem que Domingos deixa é através da sua vida e daquilo em que acreditava: devemos amar nosso oficio e buscar prazer sempre naquilo que fazemos; devemos abraçar as coisas simples da vida; amar aqueles que nos fazem felizes e olhar para a vida com alegria no coração.
Domingos, obrigada por sua obra nos palcos e na vida.
Sua família certamente tem orgulho de tudo o que você foi e o que você deixou.
Agora, você é uma estrela.

(Christina Eloi)

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