Memória: Luiz Gonzaga

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Foto: Abril Imagens

Falar de Luiz Gonzaga – que faleceu há exatos 27 anos – é falar de mim e das minhas raízes nordestinas.
É pensar em avós, bisavós, tios, primos.
É pensar nesse povo sofrido, guerreiro; que aprendeu desde muito cedo a viver na adversidade e nunca perdeu a fé.
Povo que traz no seu DNA uma simplicidade e uma autenticidade comoventes.
Assim era Luiz Gonzaga. Minhas lembranças de sua música me remetem à infância, aos almoços de domingo; aos festejos com a família reunida e lá no fundo no toca discos, aquela música tão peculiar. Confesso que na adolescência não gostava muito, mas aí a gente cresce e compreende a grandeza desse artista que representou tão bem seu povo, suas origens, suas raízes.
Gonzaga era um sertanejo que trabalhava na roça, mas também animava as festas locais com sua sanfona. Muito cedo, percebeu que sua cidade, Exu, localizada no interior de Pernambuco, era muito pequena para o seu sonho. Ele queria descobrir o mundo e, para isso se alistou no exército. Percorreu algumas cidades brasileiras, mas inda não estava satisfeito. Aportou no Rio de Janeiro com pouquíssimo dinheiro e muita fé e foi tocar sua sanfona na noite carioca.
Naquela época, ser artista era muito difícil. Então, Luiz foi tocar num dancing. Lá conheceu Odaléa, cantora do lugar. Logo, se aproximaram e começaram a viver um romance.
Viveram juntos por algum tempo, na cidade serrana carioca de Miguel Pereira, onde Gonzaguinha estudou em um colégio em Paty do Alferes. Olha só a coincidência: cidade onde morava nossa gestora, Klaudia Alvarez. Inclusive em seu blog Falas Musicais há um texto em homenagem ao Gonzagão.
Como dizia, a união deles não foi fácil, pois ambos tinham temperamento forte e eram artistas de almas livres. Odaléa ficou grávida. Assunto polêmico, pois há quem diga que ela já estava grávida quando foi viver com Gonzagão. Ele sabia e queria aquele filho, pois era estéril e não poderia gerar um filho natural. Detalhe que não faz qualquer diferença e, se for real, mostra a grandeza desse sertanejo rude. O menino nasceu e recebeu o nome do pai: Luiz Gonzaga Junior, nosso Gonzaguinha.
Não viveram muito tempo juntos, pois Odaléa morreu cedo. A carreira de Gonzaga começa a crescer, principalmente depois do início da parceria com Humberto Teixeira. Por causa disso, ele entregou o filho, aos cuidados da madrinha, Dina, moradora do morro de São Carlos. Isso foi o início do afastamento e do rompimento dessa relação que só foi resgatada já com Gonzaguinha adulto.
A obra de Gonzaga é belíssima. Esse artista apresentou ao mundo a vida do sertanejo de forma poética e singela. Tudo pautado por sua vivência e intuição.
Suas apresentações eram marcadas pela presença de palco e por suas roupas que representavam os vaqueiros nordestinos. Gibão, casaca, chapéu de couro e, claro, a sanfona.
Sua música mais conhecida é ASA BRANCA. Segundo a Revista Rolling Stones, ela está entre as 100 maiores músicas brasileiras. Mas ele deixou outras pérolas do cancioneiro popular: Assum Preto, Vida de viajante, Cintura Fina, Danado de bom, Feira de Caruaru, Juazeiro, O xote das meninas. Canções que fazem parte da nossa cultura.
Assim, a adolescente que torcia o nariz para esse estilo musical, hoje se reconhece nele e se emociona ao ver suas origens retratadas de forma tão verdadeira.

“Minha vida é andar por esse país
Pra ver se um dia descanso feliz. ”

Acredito que Gonzagão esteja descansando e feliz por tudo o que representa para a história da nossa música.

Obrigada, Luiz Gonzaga.

Texto de Christina Eloi

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